Exército de Israel ameaça atacar Hezbollah 'além da linha amarela', no Líbano
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O chefe do Estado-Maior do Exército de Israel, Eyal Zamir, ameaçou nesta quarta-feira (29), no sul do Líbano, atacar o grupo extremista Hezbollah "além da linha amarela", que delimita uma área controlada por tropas israelenses na região fronteiriça, segundo um comunicado militar.
"Qualquer ameaça, onde quer que venha, contra nossas comunidades ou nossas forças, mesmo além da linha amarela e ao norte do rio Litani, será eliminada", afirmou, de acordo com o texto divulgado após sua visita às tropas, no que Israel define como uma "zona segura" estabelecida no sul do território libanês.
Há pouco mais de uma semana, as forças israelenses estabeleceram a "linha amarela" semelhante à que separa suas tropas do território ainda controlado pelo Hamas na Faixa de Gaza. Israel já havia acrescentado, no entanto, que atacou pessoas consideradas suspeitas por terem se aproximado de soldados ao longo da linha.
Em meio a extensão do instável cessar-fogo atualmente em vigor, as forças israelenses ordenaram nesta terça (28) uma nova onda de retirada de pessoas em 16 cidades e vilarejos. O comunicado emitido pela corporação afirma que os moradores deveriam se dirigir a Sidon.
Tel Aviv justifica os ataques ao país vizinho argumentando que houve uma suposta violação da trégua por parte do Hezbollah --uma acusação recorrente de ambos os lados ao longo do conflito. Já as autoridades libanesas afirmam que as ofensivas são premeditadas.
Também na terça, a Defesa Civil do Líbano informou que um ataque israelense matou três de seus integrantes que participavam de uma operação de resgate no sul do país.
Segundo o órgão, os socorristas morreram na cidade de Majdal Zoun após ficarem "presos sob os escombros" de um prédio atingido. O Ministério da Saúde libanês acrescentou que outras duas pessoas também morreram no ataque.
A ofensiva ocorreu um dia após o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmar que o Hezbollah "está brincando com fogo" e que arrastará o Líbano para uma catástrofe. "Naim Qassem [líder do grupo armado] está brincando com fogo, e esse fogo queimará o Hezbollah e todo o Líbano", disse.
Apesar da trégua firmada no último dia 16, Israel diz reservar o direito de agir contra "ataques planejados, iminentes ou em andamento" por parte do Hezbollah. Mesmo durante o acordo, as forças de Tel Aviv têm feito repetidas ofensivas no Líbano. Também ocuparam parte do território sul do país.
Moradores libaneses foram alertados a não retornar a suas casas, enquanto tropas permanecem posicionadas em uma faixa de 5 km a 10 km ao longo de toda a fronteira do Líbano. Também nesta terça, o Exército israelense disse ter encontrado um túnel com 2 km de extensão, pertencente ao Hezbollah, no sul libanês.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou nesta terça que o país não pretende controlar o território. "Israel não tem ambições territoriais no Líbano. Nossa presença nas áreas vizinhas à nossa fronteira norte tem apenas um propósito: proteger nossos cidadãos", afirmou.
Já o Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirma ter o "direito de resistir" ao que chama de ocupação.