Irã pede que aliados votem contra resolução da ONU sobre Estreito de Hormuz
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Irã pediu a países-membros da ONU que rejeitem uma proposta de resolução apoiada pelos Estados Unidos sobre a passagem no Estreito de Hormuz.
A missão iraniana na ONU diz que a saída viável é encerrar a guerra. Em publicação na rede X, a representação em Nova York afirmou na quarta-feira que "a única solução viável no Estreito de Hormuz é clara: um fim permanente da guerra, o levantamento do bloqueio marítimo e a restauração da passagem normal".
Teerã acusa Washington de usar a liberdade de navegação como pretexto. Segundo a manifestação iraniana, os Estados Unidos tentam legitimar ações ilegais ao defender a proposta e pressionar os demais países a apoiá-la.
A resolução cobra o fim de ataques e da instalação de minas no estreito. O texto também pede que o Irã pare de cobrar pedágios, informe o número e a localização das minas marítimas que teria colocado e apoie a criação de um corredor humanitário.
Guarda Revolucionária do Irã anunciou hoje que o Estreito de Ormuz está liberado para navegação "segura". "Agradecemos aos capitães e armadores do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã por cumprirem as regulamentações iranianas do Estreito de Hormuz e por contribuírem para a segurança marítima regional. Com as ameaças do agressor neutralizadas e novos protocolos em vigor, será garantida a passagem segura e estável pelo estreito", diz o texto.
Cerca de 20% do transporte mundial de petróleo passa pelo estreito. O canal se tornou o principal foco do conflito iniciado em 28 de fevereiro, após ataques israelenses e americanos contra o Irã. O cessar-fogo entre Washington e Teerã entrou em vigor em 8 de abril.
Trump afirmou hoje que a guerra pode terminar se o Irã aceitar a proposta. O presidente dos EUA alertou que os bombardeios americanos ao Irã serão retomados em um "nível e intensidade muito maiores" se Teerã não cumprir o acordo para abrir o Estreito de Hormuz. "Se eles não chegarem a um acordo, os bombardeios começarão e, infelizmente, serão em um nível e intensidade muito maiores do que antes", disse ele.
Os Estados Unidos e o Irã estão próximos de fechar um acordo para encerrar a guerra. A informação é de um funcionário de alto escalão do Paquistão, que atua como mediador nas negociações, segundo a agência de notícias Reuters.
Washington e Teerã discutem um memorando de uma página para pôr fim ao conflito e às disputas no Estreito de Hormuz. "Vamos concluir isso muito em breve. Estamos chegando perto", disse a fonte do Paquistão, país que sediou as únicas negociações de paz da guerra até o momento e continua desempenhando esse papel de mediador, apresentando propostas entre as partes.
Notícias sobre um possível acordo fizeram com que os preços globais do petróleo despencassem. Contratos futuros do petróleo Brent, referência internacional, caíram cerca de 11%, para aproximadamente US$ 98 o barril. Os preços das ações globais também dispararam e os rendimentos dos títulos caíram devido ao otimismo em relação ao fim de uma guerra que interrompeu o fornecimento de energia.