Democratas investigam se indultos de Trump foram motivados por corrupção
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Democratas no Congresso dos Estados Unidos abriram uma investigação para apurar se indultos e comutações concedidos pelo presidente Donald Trump foram influenciados por dinheiro, lobby e intermediários. A informação é da CBS News.
Parlamentares da Câmara e do Senado enviaram cartas a mais de uma dezena de beneficiados por clemência presidencial para pedir explicações e documentos. O grupo, liderado pelos deputados Dave Min e Raul Ruiz (Califórnia) e pelo senador Peter Welch (Vermont), quer entender se houve favorecimento por intermediários, contribuições financeiras ou outras formas de influência.
Indulto é o perdão concedido pelo presidente a uma condenação, enquanto a comutação reduz a pena sem apagar necessariamente o crime. Os democratas dizem que, ao perdoar ou reduzir sentenças, Trump também tem eliminado multas e valores de restituição -dinheiro que deveria ser pago a vítimas de crimes financeiros.
As cartas pedem contratos e registros de pagamentos a advogados, lobistas e influenciadores que tenham atuado em favor dos pedidos. Os parlamentares também solicitam comunicações com autoridades federais e comprovantes de doações a Trump ou a grupos ligados a ele, com prazo de resposta até 22 de maio.
Min disse que a falta de cooperação pode aumentar o escrutínio sobre os beneficiados. "Se eles não responderem, correm o risco de se destacarem, de serem alvos de futuras investigações parlamentares e de criarem um alvo ainda maior em suas costas para potenciais processos criminais adicionais. A ideia de que as pessoas podem contornar o sistema de justiça após serem condenadas atinge o cerne do que há de errado com a América agora sob esta administração.", afirmou o deputado à CBS News.
A Casa Branca nega irregularidades e afirma que o processo de análise é formal. "Qualquer um gastando dinheiro para fazer lobby por indultos está tolamente desperdiçando seu dinheiro. A administração tem um processo robusto de revisão de indultos.", disse a secretária de imprensa Karoline Leavitt, segundo a CBS News.
Entre os casos investigados está o do bilionário das criptomoedas Changpeng Zhao, fundador da corretora Binance, que se declarou culpado por lavagem de dinheiro. Segundo a CBS News, os democratas citam reportagens sobre uma parceria da Binance com a World Liberty Financial, empresa de criptoativos fundada pelas famílias Trump e Witkoff, e querem esclarecer se houve influência indevida no perdão.
Outro alvo é Joseph Schwartz, operador de casas de repouso condenado por crimes tributários ligados a um esquema de fraude de US$ 38 milhões em impostos sobre folha de pagamento. Ele havia cumprido três meses de uma pena de três anos quando foi perdoado por Trump.
Os democratas também questionam a clemência a Lawrence Duran, ex-executivo do setor de saúde condenado por fraude no Medicare. Ele recebeu comutação que eliminou US$ 87 milhões em restituição devida.
Trevor Milton, fundador da montadora Nikola, também entrou na lista após ter sido condenado por mentir a investidores. Trump o perdoou em março de 2025, o que o livrou de cerca de US$ 680 milhões em restituição a acionistas.
Outros nomes citados incluem David Gentile, condenado por comandar um esquema Ponzi de US$ 1,6 bilhão, e Paul Walczak, perdoado por crimes tributários. Há ainda o caso do incorporador Timothy Leiweke, perdoado após contratar o advogado Trey Gowdy, aliado de Trump, segundo a CBS News.
Welch afirma que a clemência tem prejudicado vítimas ao apagar restituições e multas. "O abuso do indulto presidencial pelo presidente Trump permitiu que criminosos saíssem livres e privou as vítimas de centenas de milhões de dólares em restituição, com pouca ou nenhuma explicação.", disse o senador, segundo a CBS News.
Ex-integrantes do sistema de indultos do Departamento de Justiça afirmam que a Casa Branca tem centralizado as decisões. "A administração Trump parece estar contornando a agência em vez de trabalhar com ela para avaliar e revisar os pedidos de indulto. Isso foi um desvio de mais de 100 anos de prática. A clemência tem sido administrada a partir da Casa Branca sem a contribuição do Escritório do Advogado de Indultos.", afirmou a ex-advogada de indultos Liz Oyer à CBS News.
Min diz que o ponto mais sensível é o efeito financeiro da clemência sobre quem foi prejudicado pelos crimes. "O que mais me irrita é a privação da restituição, dinheiro que eles deveriam devolver às vítimas de suas fraudes. Agora as vítimas são atingidas duas vezes, porque não apenas as pessoas que as fraudaram não estão cumprindo seu tempo -não pagando sua dívida com a sociedade- elas literalmente não estão pagando suas dívidas com as pessoas que fraudaram.", disse o deputado.