Lula diz que não discutiu com Trump classificação de facções criminosas
SÃO PAULO. SP (FOLHAPRESS) - O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou após o encontro com seu homólogo americano, Donald Trump, que os dois não discutiram a classificação de grupos criminosos, incluindo o PCC e o CV, como organizações terroristas.
"Não foi discutido isso", disse o presidente brasileiro ao ser questionado pela Folha de S.Paulo.
Lula afirmou que a reunião marcou "um passo importante" para fortalecer a relação histórica entre os dois países e defender o multilateralismo diante das tensões comerciais globais.
"Saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os Estados Unidos", disse Lula.
O presidente ressaltou que Brasil e EUA são "as duas maiores democracias do hemisfério" e afirmou que a boa relação entre os países pode servir de exemplo internacional. Segundo ele, o tema já havia sido tratado em conversa anterior com Trump, durante encontro na Malásia.
"Somos duas democracias muito importantes, uma na América Latina e outra na América do Norte", declarou.
Lula também destacou a relevância histórica dos Estados Unidos para a economia brasileira, lembrando que, ao longo de boa parte do século 20, o país foi o principal parceiro comercial do Brasil. Ao mesmo tempo, criticou o que chamou de perda de interesse de Washington pela América Latina nas últimas décadas.
Segundo o presidente brasileiro, os EUA passaram a olhar a região principalmente sob a ótica do combate ao narcotráfico, enquanto deixaram de ampliar investimentos e parcerias econômicas.
"É importante que os EUA voltem a ter interesse nas coisas do Brasil", afirmou. "Muitas vezes fazemos licitações internacionais para rodovias ou ferrovias e os Estados Unidos não participam. Quem participa são os chineses."