Líbano e Israel farão nova rodada de negociações nos EUA em meio a frágil trégua
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Líbano e Israel realizarão nova rodada de negociações em Washington na semana que vem, segundo afirmou um funcionário do governo dos Estados Unidos, que pediu anonimato, nesta quinta-feira (7). Apesar da continuidade das conversas e do frágil cessar-fogo em vigor, forças israelenses têm ampliado seus ataques contra o Hezbollah no Líbano, principalmente no sul do país.
O funcionário do Departamento de Estado americano indicou que a nova rodada de conversas entre Israel e Líbano ocorrerá nos dias 14 e 15 de maio. A autoridade não detalhou quem participaria do encontro; o último ocorreu na Casa Branca com a presença do presidente Donald Trump, do vice-presidente J. D. Vance e de diplomatas dos três países.
A reunião será o terceiro encontro entre as partes com mediação dos EUA nos últimos meses. Israel e Líbano estão tecnicamente em estado de guerra e não mantêm relações diplomáticas desde a criação do Estado judeu, em 1948.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na terça-feira (5) que um acordo de paz entre as partes era "perfeitamente viável", e insistiu que o Hezbollah era o obstáculo, e não qualquer outra questão entre os dois governos.
O Líbano foi arrastado para o conflito no Oriente Médio quando o Hezbollah, uma facção xiita apoiada pelo Irã, lançou foguetes contra Israel após Washington e Tel Aviv iniciarem o conflito contra Teerã no dia 28 de fevereiro.
Na última reunião entre os rivais em Washington, no dia 23, uma extensão de três semanas da trégua foi anunciada por Trump, mas isso não impediu que Israel continuasse sua campanha de bombardeios contra o grupo radical, que por sua vez reivindicou ataques contra as forças israelenses que ocupam algumas partes do sul do Líbano.
Nesta quinta, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse que não havia "imunidade" para os inimigos de Israel, um dia após ataque em Beirute que teve como alvo Ahmed Ali Balout, um comandante do Hezbollah. Foi o primeiro ataque aos subúrbios ao sul de Beirute, onde a facção tem muita força política, desde o início do cessar-fogo.
Israel afirmou que o ataque matou o comandante da força de elite Radwan do grupo. O Hezbollah não emitiu qualquer declaração sobre o ataque ou sobre a situação do comandante.
"Ele provavelmente leu na imprensa que tinha imunidade em Beirute. Bem, ele leu e isso não é mais o caso", disse Netanyahu. "Digo aos nossos inimigos da forma mais clara possível: nenhum terrorista tem imunidade", afirmou o premiê.
Israel segue também fazendo ataques na Faixa de Gaza, território palestino que tem mais de 50% de sua área controlada pelas forças do Estado judeu enquanto não avançam as etapas subsequentes do acordo que reduziu a intensidade do conflito em Gaza.
Um bombardeio israelense matou o filho do principal negociador do Hamas nas conversas, também mediadas pelos EUA, sobre o futuro de Gaza, disse um alto funcionário do Hamas na quinta-feira, enquanto líderes do grupo terrorista realizavam conversas no Cairo com o objetivo de preservar a trégua com Israel.
Azzam Al-Hayya, filho de Khalil Al-Hayya, não resistiu aos ferimentos na quinta-feira após ser atingido na noite de quarta-feira, segundo autoridades de saúde em Gaza e do Hamas. Ele foi o quarto filho do chefe exilado do Hamas a ser morto em ataques israelenses no território palestino.