Aliado-chave de Starmer deve deixar cargo e desafiar liderança do premiê

Por GUILHERME BOTACINI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O secretário de Saúde do Reino Unido, Wes Streeting, deve renunciar ao cargo e pode lançar ainda nesta semana um desafio formal à liderança do primeiro-ministro, Keir Starmer, no Partido Trabalhista, de acordo com aliados do secretário que falaram à imprensa britânica, como o jornal The Guardian e a rede BBC.

Os dois se reuniram brevemente nesta quarta-feira (13) em Downing Street, a sede do governo britânico, em Londres. Nos dois dias anteriores, um motim na legenda resultou na renúncia de ao menos quatro ministros (cargo equivalente ao de secretários de ministérios no Brasil) e a manifestação de cerca de 80 parlamentares da sigla pedindo a renúncia de Starmer.

O partido sofreu grande derrota nas eleições locais na semana passada, o gatilho para a crise na sigla. Starmer, no entanto, afirmou que não vai deixar o cargo, e pessoas próximas do premiê não acreditam que Streeting tenha os 81 apoios necessários para lançar a disputa formal pela liderança do partido.

Depois da reunião, um porta-voz do secretário de Saúde afirmou que ele não comentaria o encontro para não desviar a atenção do discurso do rei Charles 3º na Casa dos Lordes, concedido nesta quarta, que abre os trabalhos do ano legislativo.

O desafio formal à liderança de um partido no Reino Unido é um processo que muda de legenda para legenda. No caso do Partido Trabalhista, um parlamentar da sigla que queira contestar a liderança precisa ser apoiado por 20% dos eleitos do partido ?atualmente, 81.

Uma vez iniciado o processo, qualquer parlamentar da sigla que conseguir esse número de apoios entra na cédula ?Starmer automaticamente estará incluído se não renunciar. Afiliados do partido votam em um sistema de preferência, elencando entre os candidatos quem é sua primeira preferência, segunda preferência, assim por diante.

Vence o pleito quem tiver mais de 50% das primeiras preferências; se ninguém obtiver a marca na primeira contagem, os que ficarem na última colocação são excluídos, e os votos são redistribuídos entre os candidatos restantes obedecendo a ordem de preferência dos eleitores até que algum dos candidatos supere a marca necessária.

"Na semana passada tivemos um conjunto devastadoramente difícil de resultados eleitorais. Isso mostra que temos um trabalho árduo pela frente para reconquistar a confiança do eleitorado", diz carta de mais de cem trabalhistas em apoio a Starmer.

"Esse trabalho precisa começar hoje ?com todos nós trabalhando juntos para promover a mudança de que o país precisa. Devemos nos concentrar nisso. Este não é o momento para uma disputa pela liderança", afirmam no texto.

Nesta terça, o premiê convocou uma reunião de gabinete para falar sobre o assunto, quando afirmou que não renunciaria.

"O Partido Trabalhista possui um processo para desafiar um líder, e isso não foi acionado. O país espera que continuemos governando; é isso que estou fazendo e o que devemos fazer como gabinete", disse Starmer no início da semana, quando a crise já estava dada, mas um desafio formal de Streeting ou outro parlamentar era apenas um rumor.

Ao deixar Downing Street após a reunião de terça, aliados reiteraram apoio ao premiê. Pat McFadden (Pensões) afirmou a jornalistas que ninguém desafiou Starmer durante a reunião. Já integrantes do governo apontados como favoráveis à saída do premiê, como o próprio Streeting e Shabana Mahmood (Interior), deixaram o local sem comentar.