Cuba diz que diesel acabou diante de bloqueios dos EUA; população protesta
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Havana teve uma noite de protestos nesta quarta-feira (13) contra os constantes apagões que atingem Cuba, informaram agências de notícias internacionais. Pouco antes, o ministro da Energia, Vicente de la O Levy, afirmou que não há "absolutamente nenhum" combustível ou diesel no país.
O QUE ACONTECEU
"A única coisa que temos é o gás de nossos poços, cuja produção aumentou", afirmou O Levy, em uma declaração lida na televisão pública. Segundo o ministro, não há "absolutamente nenhum óleo combustível ou diesel" e essa é a culpa dos apagões constantes na ilha, que teve cidades com mais de 22 horas sem energia nesta semana.
Bloqueio dos Estados Unidos é o culpado pela falta de energia, segundo o ministro. Em seu posicionamento, O Levy disse que Cuba "não recebeu um único navio combustível" desde janeiro. Na mesma época, o governo de Nicolás Maduro, um importante parceiro comercial cubano, foi derrubado na Venezuela.
EUA pressionam país desde janeiro, quando Trump assinou um decreto que estabelece que a ilha como uma "ameaça excepcional". O decreto cita represálias para qualquer país que queira fornecer ou vender petróleo a Havana.
nesta quarta-feira (13), dezenas de pessoas, em sua maioria mulheres, foram às ruas bater panelas e protestar contra os apagões em San Miguel del Padrón, bairro periférico de Havana. As informações são da AFP. "Acendam as luzes", gritaram os moradores de Playa, um bairro na zona oeste da capital.
Cerca de 65% do território cubano sofreu cortes simultâneos de energia elétrica na terça-feira. A informação foi divulgada pela AFP, que compilou números oficiais sobre o país, que tem 9,6 milhões de habitantes e sofre com apagões longos devido a mínima produção de eletricidade.
Desde o fim de janeiro, apenas um petroleiro russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto foi autorizado a atracar em Cuba. Mas essas reservas já "se esgotaram", diz O Levy. "A situação é muito tensa, o calor continua aumentando, e o efeito do bloqueio está nos causando muito dano", declarou.
CUBA ESTÁ SOB SANÇÕES DOS EUA HÁ MAIS DE 60 ANOS
Os EUA mantêm um embargo econômico amplo contra a República de Cuba há seis décadas. Em fevereiro de 1962, o presidente John F. Kennedy proclamou um embargo comercial entre os países, em resposta a certas ações tomadas pelo governo cubano, e instruiu os Departamentos de Comércio e do Tesouro a implementar o embargo, que permanece em vigor até nesta quinta-feira (14).
Ao longo dos anos, as sanções foram se fortalecendo. O bloqueio impõe sanções contra navios que atracam em portos cubanos, proibindo-os de entrar nos EUA por seis meses. Além disso, impede que entidades de outros países que operem com mais de 10% de capital estadunidense façam qualquer tipo de comercialização com Cuba.
Em outubro de 2024, a Assembleia Geral da ONU aprovou, pela 32ª vez consecutiva, a necessidade de acabar com o embargo. Esta resolução foi aprovada por 187 países, tendo apenas uma abstenção ?da Moldávia? e dois emblemáticos votos contrários: dos Estados Unidos e de Israel.
Joe Biden suavizou ação contra Cuba e excluiu país da lista de patrocinadores do terrorismo. Às vésperas de deixar o poder, o então presidente dos EUA editou a lista como parte de um gesto para garantir que Havana liberte prisioneiros políticos, e abrindo espaço para investimentos e um maior comércio com a ilha.
Meses depois, Trump incluiu o país novamente na lista. "Em 2024, o regime cubano não cooperou plenamente com os Estados Unidos em matéria antiterrorista", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, em um comunicado que especifica que outros quatro países ?Venezuela, Coreia do Norte, Irã e Síria? permanecem na lista.
Cuba nega a existência de presos políticos e acusa os opositores de serem "mercenários" dos Estados Unidos. "São eles que se recusam a cooperar com Cuba e outros países na luta contra o terrorismo, o que é compreensível. O histórico de cumplicidade e participação de agências governamentais americanas no terrorismo está bem documentado", acusou o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, na rede social X, à época.