EUA rejeitam proposta do Irã e podem retomar ataques em breve, diz site
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos vão rejeitar a proposta atualizada para o acordo de paz enviada pelo Irã à Casa Branca hoje, segundo o site de notícias americano Axios.
Membros do alto escalão do governo não acreditam que a proposta represente uma "melhoria significativa" em relação às redações anteriores. Citando duas fontes relacionadas ao assunto, o site afirmou que, aos olhos dos EUA, a nova proposta apresenta "apenas melhorias simbólicas em relação à versão anterior".
Texto do Irã dá mais detalhes sobre o compromisso de não desenvolver armas nucleares, mas não menciona enriquecimento de urânio nem o que seria feito com o estoque do país. Ao comentar sobre a proposta enviada ontem aos EUA, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, sinalizou que enriquecer urânio é um direito do Irã, o que mostra um impasse no plano de paz.
Trump deve se reunir amanhã com sua principal equipe de segurança para discutir os próximos passos e acabar com a trégua pode ser uma das opções. Uma das fontes do Axios afirmou que o próximo passo pode ser a "negociação através de bombas".
Por mais de uma vez, Donald Trump sinalizou que a trégua está perto do fim e que os países devem voltar a guerrear. Na semana passada, durante um evento ao lado do secretário de Saúde dos EUA, o republicano falou que o cessar-fogo sobrevive com "ajuda de aparelhos".
Esta não é a primeira vez que os EUA rejeitam um plano de paz enviado pelo Irã. Anteriormente, os Estados Unidos recusaram a proposta de 14 pontos traçada pelo Irã junto com o Paquistão em busca de um acordo.
Hoje, o Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que respondeu à proposta mais recente de paz dos Estados Unidos. O país "transmitiu as preocupações" sobre o plano de paz anterior enviado pela parte americana, informou o porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei.
Porta-voz afirmou que o direito do Irã de enriquecer urânio "não requer conhecimento de terceiros", o que evidencia um impasse entre os dois lados da guerra. Por mais de uma vez, Donald Trump condicionou o fim da guerra à desistência do Irã do seu plano nuclear.
A trégua entre os dois países entrou em vigor no começo de abril e foi prolongada unilateralmente pelos EUA desde então. Os dois países chegaram a se encontrar no Paquistão, país mediador dos contatos, após o cessar-fogo, mas não chegaram a um consenso.
Movimentação nas negociações acontece uma semana após o presidente dos Estados Unidos chamar outra proposta do Irã para o fim da guerra de "totalmente inaceitável". Donald Trump falou sobre o assunto em uma publicação na rede social Truth.
Proposta americana tem exigências nucleares, o que segue sendo o maior impasse entre os dois lados. Os EUA demandam que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio por pelo menos 12 anos e entregue seu estoque de 440 kg de urânio enriquecido a 60%. Em troca, haveria suspensão gradual de sanções, liberação de ativos congelados e fim do bloqueio naval.
Ministério das Relações Exteriores iraniano, por sua vez, diz não estar exigindo nenhuma concessão. "Nossa exigência é legítima: o fim da guerra, o levantamento do bloqueio [dos EUA] e da pirataria, e a liberação dos ativos iranianos que foram injustamente congelados em bancos devido à pressão dos EUA", falou o porta-voz Esmaeil Baghaei em coletiva hoje.
Governo iraniano também cobra garantias para a navegação no Estreito de Ormuz. "A passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o estabelecimento da segurança na região e no Líbano foram outras exigências do Irã, consideradas uma oferta generosa e responsável para a segurança regional", afirmou o porta-voz.