Senado dos EUA consegue avançar lei que restringe poderes de guerra de Trump

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pela primeira vez desde o início da guerra no Irã, o Senado dos Estados Unidos vai analisar em plenário uma resolução que limita os poderes do presidente Donald Trump de conduzir o conflito no Oriente Médio. Após sete derrotas, o Partido Democrata obteve nesta terça-feira (19) os votos necessários para avançar a proposta depois que um republicano passou a apoiar a medida.

Se for aprovado no Senado, o texto ainda precisa passar pela Câmara, onde o Partido Republicano também tem maioria. Por fim, a lei estaria sujeita a um veto de Trump, que só poderia ser derrubado pelo Congresso com uma maioria de dois terços dos deputados e senadores -algo extremamente improvável.

A medida que será analisada pelo plenário do Senado americano força Trump a interromper operações militares contra o Irã até que obtenha autorização do Legislativo para tanto. A Casa Branca argumentou inicialmente que o conflito não se tratava de uma guerra aberta e, portanto, não necessitaria de aprovação do Congresso.

Depois, o governo Trump disse se basear em uma cláusula regimental segundo a qual o presidente tem 60 dias para buscar apoio do Legislativo a fim de conduzir uma guerra. Quando esse prazo se esgotou, o Executivo passou a dizer que, com o cessar-fogo em vigor entre Washington e Teerã desde o dia 8 de abril, o prazo de 60 dias estava congelado.

O senador Bill Cassidy, do estado da Louisiana, tornou-se o quarto republicano na Casa a votar contra Trump depois de ser derrotado em uma primária no último sábado (16) por um candidato apoiado pelo presidente. Além dele, os senadores republicanos Rand Paul, do Kentucky, Lisa Murkowski, do Alasca, e Susan Collins, do Maine, também se juntaram à oposição para apoiar a lei.

Um democrata, o senador John Fetterman, apoiador ferrenho de Israel, votou com a maioria republicana para permitir que Trump continue a guerra. Com a ausência de três senadores, o placar final foi de 50 a 47. Ainda não há data para que a medida seja analisada no plenário, onde mesmo um empate favorece o governo --o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, tem o direito de dar o voto de minerva em caso de empate, uma vez que ocupa a presidência do Senado.

A aprovação da lei na primeira votação após sete tentativas fracassadas acontece em um momento de baixa popularidade de Trump, que vê até mesmo apoiadores questionarem a continuação da guerra. Além disso, com o fechamento prolongado do estreito de Hormuz, por onde circulavam 20% do petróleo mundial, preços de combustíveis vem aumentando, e os eleitores americanos se dizem mais pessimistas com a economia.