Em vídeo em espanhol, secretário de Trump oferece US$ 100 milhões a cubanos
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ofereceu à população de Cuba um "novo caminho" em um pronunciamento em vídeo publicado nesta quarta-feira (20) em suas redes sociais. Filho de cubanos, ele prometeu US$ 100 milhões (cerca de R$ 503 milhões) em alimentos e medicamentos e defendeu uma nova relação entre Washington e Havana.
Na gravação, o chefe da diplomacia do governo de Donald Trump fala em espanhol. Culpando o regime de Miguel Díaz-Canel pela atual crise energética, Rubio disse que a ajuda monetária deverá ser distribuída pela Igreja Católica ou por outras organizações beneficentes consideradas confiáveis pelos EUA.
Submetida pelos Estados Unidos a um embargo desde 1962, a ilha enfrenta desde janeiro um bloqueio petroleiro imposto pelo governo Trump, que desencadeou uma severa crise energética e humanitária. A data da divulgação marca o Dia da Independência de Cuba.
Rubio afirmou que os EUA querem ajudar não apenas a aliviar a crise atual, mas também a estabelecer uma nova relação com os cubanos. Ele acusou o regime de corrupção e de oprimir a população.
"O presidente Donald Trump está oferecendo um novo caminho entre os EUA e uma nova Cuba", disse o secretário. "Uma nova Cuba onde vocês tenham uma oportunidade real de escolher quem governa seu país e votar para substituí-los caso não estejam fazendo um bom trabalho."
Em resposta, a embaixada cubana nos EUA acusou Rubio de mentir de maneira "repetida e inescrupulosa" e afirmou que Washington promove uma política de agressão contra a ilha.
"Ele sabe muito bem que não há justificativa para uma agressão tão cruel e implacável", afirmou a representação diplomática em publicação na rede X. O episódio se soma a uma série de atritos entre governo Trump e Havana, incluindo ameaças do republicano de assumir o controle da ilha.
Desde a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, Washington vem pressionando o regime cubano a implementar reformas profundas em seu sistema econômico e regime político.
Havana rejeita as exigências e argumenta com a soberania nacional. Em meio às tensões, a Defesa Civil de Cuba divulgou nos últimos dias um guia com orientações de proteção para o caso de uma eventual intervenção militar americana.
Segundo a agência Reuters, a Casa Branca deve anunciar ainda nesta quarta acusações criminais contra o ex-líder cubano Raúl Castro, 94. As acusações se concentrariam na derrubada, em 1996, de dois aviões civis pilotados por opositores ao regime castrista.
Segundo a imprensa americana, junto de Raúl Castro, o governo de Trump estuda indiciar outros nomes do regime cubano. Na segunda (18), Washington anunciou sanções contra ministros, membros da cúpula militar e os serviços de inteligência cubanos.
Entre os sancionados estão os ministros da Energia, da Justiça, das Comunicações e o presidente da Assembleia Nacional. Também entraram na lista o vice-ministro das Forças Armadas, comandantes do Exército, o chefe da contrainteligência militar, assim como a Direção Geral de Inteligência.
As sanções impedem que estes funcionários e entidades cubanos estabeleçam qualquer tipo de relação econômica com uma contraparte americana.