Porta-aviões dos EUA chega ao Caribe após indiciamento de ex-líder cubano
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O porta-aviões USS Nimitz, dos Estados Unidos, chegou ao Caribe nesta quarta-feira (20), em meio à crescente tensão do governo de Donald Trump com o regime de Cuba, segundo anúncio das Forças Armadas americanas.
O grupo de ataque é composto pelo porta-aviões, seu grupo aéreo embarcado, um destróier de mísseis guiados e um navio de suprimentos. Juntos, "são o epítome de prontidão e presença, alcance e letalidade incomparáveis e vantagem estratégica", publicou o Comando Sul dos EUA nas redes sociais.
A força-tarefa pode transportar mais de 60 aeronaves de combate e conta com sistema avançado de armas, comando, comunicações e inteligência.
Em paralelo ao anúncio do Comando Sul, três senadoes democratas americanos apresentaram uma resolução para impedir o uso das Forças Armadas dos EUA contra Cuba. "Nossos militares não devem ser enviados para situações de risco quando não há benefício claro para os EUA", afirmou o congressista Tim Kaine, da Virgínia.
O senador Adam Schiff (Califórnia), que também assina o documento, disse que "o regime repressivo cubano tem oprimido sua população e sufocado o progresso econômico de seu povo há décadas". Ainda afirmou, no entanto, que "por mais que deseje o fim do regime e um futuro melhor para o povo cubano, não há indícios de que Cuba represente uma ameaça significativa à segurança" americana. "Trump não tem autoridade legal para invadir ou atacar mais uma nação soberana sem a aprovação do Congresso ou a comprovação de uma ameaça iminente", acrescentou.
O anúncio da movimentação ocorre no mesmo dia em que o governo Trump indiciou formalmente o ex-líder cubano Raúl Castro. O cubano enfrenta quatro acusações de homicídio e duas de destruição de aeronave, segundo documentos judiciais do caso.
O atual líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o indiciamento é uma "manobra política, desprovida de qualquer fundamento legal". Já o secretário de Justiça interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou que a Casa Branca espera que Castro compareça ao país "por vontade própria ou de outra forma para ir para a prisão".
O movimento desta quarta se assemelha ao que precedeu a captura do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, realizada pelas Forças Armadas americanas em janeiro, quando ele foi levado ao território dos EUA para ser julgado. À época, antes da operação, o venezuelano foi indiciado por uma série de crimes relacionadas a tráfico de drogas.
Díaz-Canel já havia afirmado na segunda-feira que Cuba "tem o direito absoluto e legítimo de se defender contra um ataque militar" e que uma possível operação "causaria um banho de sangue com consequências incalculáveis".
Mais cedo nesta quarta, Trump disse que Cuba é um "Estado pária que abriga forças militares estrangeiras hostis" e enquadrou as ações de seu governo em relação à ilha caribenha como parte de um esforço mais amplo para expandir a influência dos EUA na região.
"Das praias de Havana às margens do Canal do Panamá, expulsaremos as forças da ilegalidade, do crime e da ingerência estrangeira", afirmou o presidente americano. Nos últimos meses, seu governo já orquestrou uma série de operações em águas internacionais contra embarcações que afirma serem usadas por "narcoterroristas".
O republicano também afirmou que o indiciamento de Castro era um "momento muito grande", embora tenha dito que não haveria uma escalada das tensões. "Eu não acho que seja necessária [uma escalada]. O lugar [Cuba] está caindo aos pedaços. É uma bagunça, e eles meio que perderam o controle", disse Trump.
Submetida pelos Estados Unidos a um embargo desde 1962, a ilha enfrenta desde janeiro um bloqueio petroleiro imposto pelo governo Trump, que desencadeou uma severa crise energética e humanitária.