Presidente da Bolívia corta seu salário pela metade em meio a protestos

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou nesta segunda-feira (25) que cortará pela metade seu salário e o de seus ministros, em meio a uma crescente crise política marcada por protestos e bloqueios de estradas que exigem sua renúncia.

Em discurso durante um evento em Sucre, capital constitucional do país, Paz disse que os cortes salariais demonstram o "compromisso do governo com o país".

Os cortes salariais ocorrem enquanto a Bolívia entra em sua quarta semana de agitação política e social. Os protestos têm causado problemas crescentes na cadeia de abastecimento nas cidades de La Paz e El Alto, onde a grave escassez de alimentos, combustível e medicamentos está afetando mercados, hospitais e postos de gasolina.

Os manifestantes pressionam o governo de Paz a reverter as medidas de austeridade fiscal e enfrentar o aumento do custo de vida no país.

Nas últimas três semanas, dezenas de rodovias que levam a La Paz, a sede do governo, foram bloqueadas por manifestantes, o que agravou os efeitos da inflação, que atingiu 14% em abril, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Paz, que assumiu o cargo em novembro e herdou uma economia em sua maior crise em quatro décadas, defendeu os cortes de gastos e a redução dos subsídios aos combustíveis como medidas necessárias para estabilizar as finanças públicas.

Em meio às marchas, o presidente descartou dialogar com manifestantes radicais que usam a violência. "Uma minoria não pode governar, uma minoria não pode nos abusar e faremos cumprir a Constituição com firmeza", advertiu.

Durante uma sessão da OEA (Organização dos Estados Americanos) na última quarta-feira (20), o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Aramayo, afirmou que os protestos tem como objetivo principal alterar a "ordem democrática e constitucional".

O governo ainda afirma que os movimentos são orquestrados pelo ex-presidente socialista Evo Morales, foragido da justiça por um caso de suposto tráfico de uma menor de idade.

Por sua vez, Morales pediu neste domingo (24) que o governo convoque novas eleições. Paz "tem dois caminhos: uma decisão suicida, a militarização, ou (...) pacificação, transição e eleições em 90 dias", disse durante seu programa de rádio semanal na emissora do movimento cocaleiro, Kawsachun Coca.

Como medida anterior para frear os protestos, Rodrigo Paz anunciou na última quinta-feira (21) a troca do ministro do Trabalho, Edgar Morales, pelo advogado de origem aimara Williams Bascopé.