Irã acusa EUA de violarem cessar-fogo com novos ataques 'injustificados'

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta terça-feira (26) que os Estados Unidos violaram o acordo de cessar-fogo firmado entre os dois países, após as forças norte-americanas realizarem novos ataques na região sul do país.

Teerã afirmou que os EUA "cometeram uma grave violação do cessar-fogo" e suscitou possibilidade de retaliação. "O Irã responsabiliza o regime dos EUA por todas as consequências resultantes dessas ações agressivas e injustificadas", diz a nota o Ministério das Relações Exteriores iraniano.

Líder supremo do Irã também criticou os ataques americanos e falou em "ponto de não retorno". Mais cedo, Mojtaba Khamenei já havia feito ameaças e afirmado que os países do Golfo Pérsico "não servirão mais de base" para alocar as tropas militares dos EUA.

Mojtaba ainda alegou que os EUA têm perdido influência na região, "afastando-se a cada dia um pouco mais de seu antigo status". O aiatolá iraniano não aparece em público desde o final de fevereiro, quando Teerã foi bombardeada e seu pai, Ali Khamenei, foi morto. Segundo informações, ele está ferido, mas não há uma dimensão oficial da gravidade.

Guarda Revolucionária iraniana abateu drone americano que entrou no espaço aéreo do Irã. O alvo foi um MQ-9, aeronave não tripulada usada pelos EUA. Até o momento, a Casa Branca não comentou o assunto.

EUA atacaram o Irã nesta segunda-feira (25), mas alegaram ter agido em "legítima defesa". O comando do Exército americano para o Oriente Médio (Centcom) informou que "os alvos incluíram locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que tentavam instalar minas".

CESSAR-FOGO FRÁGIL E IMPASSES

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no sábado que conversou por telefone com líderes dos países do Golfo, Turquia, Egito, Jordânia e Paquistão. Ele também conversou com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em uma ligação "separada" que "correu muito bem", segundo o republicano. Nos últimos dias, veículos de imprensa americanos têm destacado estratégias divergentes entre os dois lados: enquanto Trump defendia a diplomacia, seu aliado israelense favorecia a retomada das hostilidades.

Estados Unidos e o Irã formalizaram um cessar-fogo de duas semanas em 8 de abril. O acordo foi descrito por especialistas como "extremamente frágil" diante dos impasses que têm ocorrido entre os dois países. O cessar-fogo foi unilateralmente estendido pelos EUA no fim do prazo.

As delegações dos dois países se encontraram pessoalmente apenas uma vez, em 11 de abril, para discutir um plano definitivo de paz. Na ocasião, após mais de 20 horas de conversa, os negociadores deixaram a cidade de Islamabade sem um acordo. Desde então, as tratativas entre os dois lados são feitas com a ajuda do Paquistão.

Irã citou avanços em negociações com EUA antes de ataque. "É verdade que chegamos a uma conclusão em grande parte dos temas em discussão (...) Mas afirmar que a assinatura de um acordo é iminente é algo que ninguém pode sustentar", acrescentou", declarou Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, em coletiva mais cedo.

NOVAS EXIGÊNCIAS DE TRUMP

Horas antes dos bombardeios americanos, Trump também havia endurecido as condições para um compromisso de paz com o Irã. Ele exigiu que Arábia Saudita, Emirados Árabes, Qatar, Paquistão, Egito, Turquia, Bahrein e Jordânia assinassem os Acordos de Abraão, um conjunto de tratados negociado em 2020, que levou à normalização das relações entre algumas nações historicamente hostis e Israel.

Bahrein e Emirados Árabes já assinaram esses acordos, assim como Marrocos e Sudão. Mas muitos outros países se recusaram até agora a participar desse processo, sobretudo Arábia Saudita, Síria e Líbano, principalmente desde o conflito que devastou a Faixa de Gaza.