Saiba se membros de facções organizadas poderão ser deportados e presos nos EUA

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) poderão ser deportados e presos nos Estados Unidos depois que o governo norte-americano classificar as facções brasileiras como organizações terroristas.

Departamento de Estado dos EUA vai incluir as facções brasileiras na lista de organizações terroristas globais. A medida passa a valer a partir de 5 de junho de 2026.

Decisão amplia os poderes de Washington para combater os grupos em solo americano. A nova classificação atinge diretamente as frentes de imigração, sistema financeiro e Justiça criminal.

Governo norte-americano poderá vetar vistos e bloquear bens de integrantes das facções. As autoridades também ganham poder para realizar prisões, abrir processos e ordenar deportações rápidas.

Medida altera o tratamento jurídico nos EUA, mas não muda a lei no Brasil. Os grupos continuam classificados apenas como organizações criminosas normais. A punição interna segue as regras da lei sem sofrer alteração automática.

A base jurídica para a expulsão de membros está na lei migratória americana. A INA (Lei de Imigração e Nacionalidade) impede a entrada de estrangeiros envolvidos com terrorismo.

Estrangeiros que já vivem nos Estados Unidos também correm risco de remoção rápida. O código federal do país prevê a deportação de qualquer pessoa associada a grupos terroristas.

A expulsão de suspeitos brasileiros não vai ocorrer de forma coletiva ou automática. A Justiça americana exige a apresentação de provas individuais de ligação de cada acusado com as facções.

A punição não atinge pessoas com base em sua nacionalidade ou origem geográfica. "Não se pune suspeita genérica, mas sim a conduta individualmente demonstrável", explica o advogado William Pimentel, diretor jurídico da Adesg (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra).

A lei mira apenas os membros, financiadores e apoiadores diretos dos grupos criminosos. Morar em área dominada por facções ou ter parentes investigados não serve como prova de vínculo.

O fornecimento de apoio material para as facções brasileiras passa a ser crime federal. O Código dos EUA prevê penas de até 20 anos de prisão para essa conduta.

A punição criminal pode ser ainda maior se o apoio resultar em morte. A lei norte-americana pune com rigor o envio de recursos, armas, transporte ou documentos falsos.

O risco de prisão e processo atinge também quem atua nos bastidores. Operadores financeiros, doleiros, laranjas e empresas de fachada entram na mira da Justiça americana.

A conduta mais sensível na lei dos Estados Unidos é o auxílio logístico. "A ação crítica não é só ser membro, mas servir à engrenagem da facção", afirma William Pimentel.

Membros de facções que forem presos nos EUA devem cumprir pena no país. Os norte-americanos não costumam abrir mão de punir crimes cometidos sob sua jurisdição nacional.

A deportação só ocorre após o término da pena ou liberação do detido. A lei federal dos Estados Unidos também permite prender o estrangeiro durante o processo migratório.

A classificação dificulta a segurança na emissão de vistos de viagem para os suspeitos. Qualquer pessoa associada ao PCC ou CV será considerada inelegível para entrar no país.

A posse de Green Card não protege o estrangeiro contra processos de expulsão. Residentes permanentes perdem o direito de morar no país se apoiarem organizações de terrorismo.

Cidadãos americanos natos não podem ser deportados sob nenhuma hipótese pela lei. No caso de cidadãos naturalizados, o governo precisa retirar a cidadania em processo judicial prévio.

O bloqueio de contas e ativos financeiros deve ser o efeito mais relevante. O Departamento do Tesouro dos EUA pode congelar todos os bens sob jurisdição americana.

Empresas e bancos dos Estados Unidos ficam proibidos de fazer negócios com sancionados. Qualquer transação que passe pelo sistema financeiro americano será barrada imediatamente pelas agências.

A asfixia econômica é vital para combater o crime organizado moderno no mundo. "A facção não vive de fuzil, mas de CNPJ, banco e empresa de fachada", diz Pimentel.

Os pedidos de asilo político ficam muito mais difíceis para os suspeitos. A lei dos Estados Unidos veta benefícios migratórios para quem apresenta ameaça à segurança nacional.

A deportação e a extradição são processos jurídicos totalmente diferentes e independentes. A deportação protege a ordem migratória americana, enquanto a extradição atende ao interesse penal do Brasil.

A nova medida eleva a pressão institucional contra as rotas internacionais de tráfico. O estrangulamento financeiro reduz o poder de investimento das facções na América do Sul.