EUA atacam instalações do Irã alegando revide após abate de drone americano
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos afirmaram nesta segunda-feira (1°) que bombardearam instalações de drones em dois pontos diferentes do Irã neste fim de semana.
Ataques "calculados e deliberados" aconteceram no fim de semana em forma de "autodefesa", segundo o Comando Central dos EUA. Em nota divulgada na madrugada de hoje, o órgão informou que os ataques aconteceram em Goruk e na ilha de Qeshm.
Ação foi resposta ao abatimento de um drone MQ-1 que operava sobre águas internacionais, segundo os EUA. O país não detalhou onde o drone foi abatido, mas, no fim de semana, o Irã informou que lançou um ataque próprio e o Kuwait disse que recebeu "fogo inimigo".
Uma estação de controle de drones e dois drones teriam sido os alvos do ataque americano. O órgão informou que nenhum militar ficou ferido e citou o cessar-fogo que segue em curso entre os dois países em seu comunicado. "Continuaremos protegendo os ativos e interesses dos EUA em resposta à agressão iraniana injustificada durante o cessar-fogo em curso", afirmou o comunicado.
Bombardeio marca mais um ponto de tensão durante um cessar-fogo frágil entre os dois países. O acordo para paralisar a guerra foi assinado em abril e adiado unilateralmente pelos Estados Unidos no fim do prazo.
Desde então, Israel, que começou a atacar o Líbano no início da guerra, também também firmou uma trégua com o país. Essa trégua foi estendida por 45 dias neste mês.
Os ataques também acontecem um dia após outra sinalização de avanço das negociações entre EUA e Irã. Ontem, o presidente Donald Trump afirmou que recebeu do país do Oriente Médio a garantia de não desenvolvimento de armas nucleares.
Trump afirmou que a principal condição para um acordo é Teerã se comprometer a não ter arma nuclear. "A garantia que preciso ter é que não haverá uma arma nuclear. Eles aceitaram isso e é muito interessante", declarou em entrevista a sua nora Lara Trump exibida pela Fox News na noite de sábado.
Ele também citou como prioridade a reabertura do estreito de Hormuz, rota central para o petróleo. Antes da guerra, a passagem concentrava cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo, e a retomada do tráfego marítimo é tratada por Washington como parte do acordo.
O presidente disse que ainda não decidiu sobre a proposta e que não tem urgência para fechar o entendimento. "Não tenho pressa", afirmou à AFP, informando, ainda, que o país pode encerrar as conversas com o Irã se não conseguir o que quer. "Vamos ter que terminar de outra maneira", afirmou.
PONTOS DE ATRITO COM TEERÃ E DESDOBRAMENTOS NO LÍBANO
O Irã já havia colocado em dúvida declarações de Trump e condicionou avanços a recursos congelados. Teerã insiste na liberação de US$ 12 bilhões antes de entrar em conversas de fundo sobre temas como o programa nuclear.
Autoridades iranianas também contestaram a versão de que o urânio enriquecido do país teria sido destruído. A imprensa iraniana afirmou que não têm fundamento os comentários de Trump sobre a eliminação desse material, que pode ser usado como precursor de armas nucleares.
Teerã quer que o Líbano entre no pacote de negociações, em meio à ofensiva de Israel contra o Hezbollah. Beirute acusou Israel de aplicar uma "política de terra arrasada", e o Exército israelense afirmou que a operação no país "se estende a outras zonas".
Fontes americanas disseram que a proposta ainda aguarda aval final de Trump, sem decisão tomada. No sábado, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou em uma cúpula de segurança em Singapura que Washington é "mais que capaz" de reiniciar a guerra, se necessário.