Netanyahu ordena bombardeio no sul de Beirute e amplia ofensiva no Líbano

Por Folhapress

(UOL/FOLHAPRESS) - Benjamin Netanyahu ordenou que o Exército de Israel bombardeie os subúrbios ao sul de Beirute, no que o The Guardian descreve como a maior escalada da guerra no Líbano desde o cessar-fogo anunciado em 17 de abril.

Netanyahu e o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmam que os ataques miram "alvos terroristas" na região sul da capital libanesa. Segundo eles, a decisão responde a "violações repetidas e contínuas" do cessar-fogo por parte do Hezbollah.

Moradores começaram a deixar a área poucos minutos após o anúncio, e as principais vias de saída ficaram tomadas por carros. De acordo com o The Guardian, o deslocamento se repete porque residentes foram obrigados a sair de casa várias vezes nos últimos três meses.

Combates entre Israel e Hezbollah continuaram apesar do cessar-fogo de 17 de abril, e ataques israelenses já mataram mais de 800 pessoas no Líbano desde então. Ainda segundo o jornal britânico, o Hezbollah atacou tropas israelenses no sul do país e, nos últimos dias, lançou foguetes em direção ao norte de Israel.

O entendimento anterior era de que Beirute ficaria fora da lista de alvos, embora Israel já tenha atingido os subúrbios do sul duas vezes desde 17 de abril. O The Guardian afirma que, mesmo assim, houve redução em relação ao período anterior ao cessar-fogo, quando a capital era bombardeada diariamente.

AVANÇO NO SUL E REAÇÃO INTERNACIONAL

Israel também ampliou sua presença no sul do Líbano e, no domingo, tomou o castelo medieval de Beaufort, no avanço mais profundo desde o fim da ocupação da região em 2006. O Exército israelense ainda bombardeou a cidade de Tiro, derrubando prédios inteiros em alguns dos ataques aéreos mais violentos contra o município.

Após a tomada do castelo, Netanyahu disse que pretende avançar ainda mais no território libanês. "Agora minha diretriz é aprofundar e expandir nosso controle em lugares que estavam sob o controle do Hezbollah. Voltamos unidos, determinados e mais fortes do que nunca", afirmou o premiê, em comunicado.

O Hezbollah manteve o tom de desafio e anunciou ações contra o que descreveu como soldados israelenses posicionados fora do castelo. O deputado Hassan Fadlallah, do grupo, atribuiu ao governo libanês a responsabilidade pela escalada, ao dizer que a opção de negociação direta "provou seu fracasso", relata o jornal.

Líderes europeus condenaram a ampliação da operação israelense no Líbano e pediram o fim dos combates. "Nada justifica a grande escalada em curso no sul do Líbano", declarou o presidente da França, Emmanuel Macron.

A França pediu uma reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para esta segunda-feira, e Reino Unido e Alemanha também criticaram a ofensiva. A ministra britânica Yvette Cooper defendeu que o cessar-fogo mediado pelos EUA seja respeitado, segundo o The Guardian.

NEGOCIAÇÕES E CRÍTICAS SOBRE A ESTRATÉGIA

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, acusou Israel de destruir cidades e vilarejos. Salam afirmou que o país está "implementando uma política de destruição total de cidades e vilarejos".

Especialistas ouvidos pela Associated Press questionaram o peso estratégico da tomada do castelo de Beaufort e apontaram necessidade de saída política. "Estamos causando danos a eles nas operações, mas, em paralelo, precisamos buscar uma solução política e diplomática", disse Orna Mizrahi, ex-vice-diretora do conselho de segurança nacional de Israel.

Autoridades de Israel e do Líbano iniciaram em abril conversas em Washington, as primeiras em mais de três décadas entre países sem relações diplomáticas formais. Segundo o The Guardian, as discussões estavam previstas para continuar nesta semana, sem participação do Hezbollah, que afirmou não aceitar resultados das negociações.