Trump diz ter falado com líderes de Israel e Hezbollah e anuncia trégua dentro da trégua no Líbano

Por Folhapress

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (1º) que Israel e o Hezbollah concordaram em não se atacar após conversas por telefone com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e com a facção libanesa.

"Tive uma ligação muito produtiva com Netanyahu e não haverá tropas indo a Beirute, e qualquer contingente a caminho já deu meia volta", afirmou Trump em post na rede Truth Social. Em nenhum momento do anúncio de que atacaria a capital libanesa Netanyahu havia dito que enviaria tropas a Beirute.

"Tive ótima conversa com o Hezbollah, e eles concordaram que as armas vão parar: Israel não vai atacar eles, e eles não vão atacar Israel", disse o republicano.

O anúncio, uma espécie de trégua dentro da trégua, não inclui detalhes sobre prazos ou a negociação em andamento para encerrar o conflito. Em tese, há um cessar-fogo vigente desde o dia 17 de abril, desrespeitado desde os primeiros dias e com novos e crescentes ataques recentes de lado a lado ?em meados de maio, a trégua foi renovada por mais 45 dias.

Embora Washington atue como mediador do conflito no Líbano, a guerra entre a facção xiita e Israel está vinculada ao conflito dos EUA e do Estado judeu contra o Irã, por sua vez o fiador do Hezbollah. Teerã exige que qualquer acordo com Trump inclua o fim das hostilidades em território libanês, o que os EUA e Israel têm ignorado.

Representantes de Beirute e Tel Aviv devem se encontrar na capital americana nesta terça (2) e quarta-feira (3) para nova rodada de negociações.

À agência Reuters, dois funcionários israelenses afirmaram que Tel Aviv aguarda aprovação de Trump para um ataque no subúrbio de Dahieh, no sul da capital libanesa, um reduto do Hezbollah de maioria muçulmana xiita.

Já uma autoridade libanesa disse à agência que a facção fez chegar aos EUA, através do presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que estava disposto a parar ataques ao norte de Israel em troca de Tel Aviv poupar Beirute de ataques.

As Forças Armadas de Israel emitiram alertas nesta segunda-feira para que moradores do sul da capital libanesa deixassem a área, após Netanyahu anunciar que Tel Aviv voltaria a atacar o local.

"Se o Hezbollah continuar a atirar em direção às nossas cidades e comunidades, as Forças de Defesa de Israel (IDF) vão continuar a responder atingindo alvos terroristas em Dahieh", afirmou o porta-voz em árabe das IDF, Avichay Adraee. "Israel não está em guerra com o povo do Líbano, mas com a organização terrorista Hezbollah."

Nesta segunda-feira, milhares de libaneses fugiam do local, em mais um episódio de deslocamento forçado de civis no conflito, que já viu mais de 1 milhão de habitantes do país árabe deixando suas casas.

Autoridades libanesas afirmam que mais de 3.400 pessoas foram mortas no país como resultado de ataques israelenses desde 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo contra Israel em apoio ao Irã. Israel afirma que 24 de seus soldados e quatro civis foram mortos no mesmo período.

O Líbano afirmou que um ataque israelense atingiu as proximidades de um hospital em Tiro nesta segunda-feira. A estatal Agência Nacional de Notícias afirmou que um ataque direcionado a um cruzamento próximo ao hospital Jabal Amel "atingiu um prédio e o estacionamento, resultando em vários feridos".

Neste fim de semana, tropas israelenses capturaram o castelo de Beaufort, no sul do Líbano. A fortaleza de 900 anos, construída durante as Cruzadas, é tão estratégica quanto simbólica.

Por ser o ponto mais elevado na região, permite a observação de grande parte do sul do Líbano e do norte de Israel, de onde ataques têm sido zlançados contra áreas residenciais israelenses próximas à fronteira. O castelo também já foi ocupado por 18 anos por Israel, de 1982 a 2000, e se tornou um marco da invasão no Líbano à época.

Já o Hezbollah, estabelecido pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982, disse que seus combatentes dispararam uma salva de foguetes contra infraestrutura militar israelense na cidade de Tiberíades à 1h da manhã de segunda-feira, entre outros ataques que, segundo o grupo, foram em resposta a violações israelenses do cessar-fogo.

O porta-voz da secretaria-geral da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou nesta segunda-feira que a organização está "profundamente alarmada com a escalada das atividades militares no sul do Líbano e além" e pediu a todos os atores envolvidos que respeitem o cessar-fogo em vigor.

Ainda nesta segunda, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que o Irã interrompeu as negociações após nova troca de ataques durante o cessar-fogo em vigor e em meio a grandes incertezas sobre a capacidade dos dois lados de chegaram a consensos.

De acordo com o comunicado, as conversas indiretas entre negociadores ficarão suspensas até que o cessar-fogo seja cumprido. Em seguida, no entanto, o presidente americano publicou nas redes sociais que as conversas com o Irã continuam "a um ritmo rápido".