Delcy pode acabar como Maduro, diz María Corina

Por CAROLINE RIBEIRO

OSLO, NORUEGA (FOLHAPRESS) - A opositora venezuelana María Corina Machado afirmou nesta segunda-feira (1º) que a líder interina do país, Delcy Rodríguez "pode acabar como Nicolás Maduro ou pode facilitar a transição".

Em entrevista à Folha em Oslo, capital da Noruega, Corina pressionou Delcy a aceitar o processo iniciado com a captura de Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro. "Essa é uma situação ganha-ganha. Em termos de segurança, de paz, energia, migração. Uma transição ordenada na democracia venezuelana é o que todos querem e é até a melhor oportunidade que Delcy Rodríguez tem agora", afirmou.

A ganhadora do Nobel da Paz também tem aumentado a pressão sobre o governo de Donald Trump para que sejam marcadas novas eleições na Venezuela e confirmou que vai disputar o pleito. O ex-candidato opositor Edmundo González, que assumiu a candidatura após Corina ter sido impedida pelo regime de concorrer nas urnas, manifestou apoio à aliada.

Questionada sobre o comprometimento dos EUA com o processo, já que Trump tem elogiado a gestão de Delcy, Corina respondeu que tem, sim, o apoio de Washington e recordou um plano de três fases apresentado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

"A primeira fase foi a estabilização e ele disse recentemente que foi completada. A segunda é a recuperação, e a terceira é a transição para a democracia. Essas duas últimas podem se sobrepor."

No passado, pouco após a captura de Maduro, Trump disse que "seria muito difícil" que Corina assumisse a liderança da Venezuela por que ela "não conta com apoio nem respeito dentro de seu país".

Já sobre uma data para as eleições, sem definição, Corina reforçou a cobrança. "A expectativa e o desespero na Venezuela estão crescendo muito rápido. A situação econômica é horrível, as pessoas passam fome, as aposentadorias são menos de 1 dólar por mês", disse. "As pessoas estão ficando mais animadas porque sabem que vão ter um processo eleitoral, e eu prefiro que isso seja canalizado de forma pacífica e cívica. Por isso penso que é muito importante marcar uma data para as eleições", afirmou.

Atualmente exilada no Panamá, a opositora ainda fez um desafio a Delcy ao afirmar que, ao participar de uma eleição, a líder interina poderia provar que "que está disposta a ajudar esse processo a avançar".

Corina está em Oslo para participar, nesta terça-feira (2), do Oslo Freedom Forum, evento de direitos humanos que reúne ativistas do mundo todo. A passagem pela capital norueguesa também faz parte da pressão por apoio junto aos Estados-membros da União Europeia.

No mês passado, ela visitou Itália, Espanha e Portugal. "A Europa está ao nosso lado, e não apenas agora, ao longo deste processo. Estou muito grata ao Parlamento Europeu e a muitos governos". Segundo ela, este e um momento em que a atenção é mais necessária do que nunca.

"As coisas estão a avançar na Venezuela. O regime está tomando decisões para desmantelar a sua própria estrutura repressiva e de corrupção, mas se não sentirem a pressão, se as pessoas ignorarem, voltarão a fazer o que costumavam fazer", disse.

Segundo Corina, mais de 600 presos políticos foram libertados desde janeiro. "Estamos vendo sindicatos, trabalhadores, professores, mães e estudantes voltando às ruas. Os meus colegas de diferentes partidos políticos que estavam escondidos ou a viver no exílio estão voltando. Portanto, as coisas estão avançando mais rapidamente na Venezuela do que pode parecer visto de fora."