Israel ordena evacuação no Líbano para realizar ataques contra o Hezbollah

Por Folhapress

SÃO PAUILO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Exército de Israel ordenou nesta sexta-feira (5) a evacuação imediata de moradores do sul do Líbano antes de realizar ataques contra o Hezbollah.

Exército israelense anunciou na manhã de sexta-feira que se prepara para lançar ataques aéreos contra o movimento islâmico Hezbollah na cidade costeira de Sarafand, no sul do Líbano. Os bombardeios, que se repetem apesar do novo acordo de cessar-fogo anunciado por Washington, mataram sete pessoas de ontem para hoje.

Os militares israelenses mandaram esvaziar cidades localizadas no sul do Líbano. O alerta foca em Sarafand e Saksakiyeh, municípios situados na estrada costeira entre as cidades de Tiro e Sidon.

Ordem é que moradores deixem suas casas e se afastem ao menos um quilômetro do local. As áreas atingidas incluem Arnaya (ou Arnaba), Anqoun e Kfar Fila. "Para sua segurança, você deve evacuar suas casas imediatamente e se afastar das aldeias e cidades por pelo menos 1.000 metros, indo para áreas abertas", publicou no X o porta-voz do Exército para língua árabe, Avichay Adraee. "Qualquer pessoa que esteja próxima a combatentes do Hezbollah, suas instalações ou suas armas coloca sua vida em risco."

As IDF (Forças de Defesa de Israel) dizem que a ordem de saída ocorre após o Hezbollah quebrar o acordo de cessar-fogo. Segundo as IDF, o grupo atacou o território de Israel, o que motivou a reação das forças armadas do país vizinho.

O porta-voz do exército israelense, Avichay Adraee, listou as cidades sob ameaça de bombardeio em uma postagem em árabe no X. Ele afirmou que as Forças de Defesa de Israel precisam agir com força nas regiões onde o Hezzbollah atua.

Os civis devem deixar suas casas e se deslocarem para o norte do rio Zahrani por segurança. A área segura indicada pelo exército israelense fica a cerca de 40 quilômetros ao norte da fronteira.

HEZBOLLAH PROMETE RESISTÊNCIA

Movimento xiita Hezbollah se colocou contra acordo. Aliado do Irã, por meio de seu líder Naim Qassem, grupo rejeitou o acordo de cessar-fogo no Líbano anunciado na quarta-feira (3) em Washington. Organização exige a retirada completa das forças israelenses do sul do país. O grupo ameaçou realizar novos ataques contra o norte de Israel.

Naim Qassem faz ameaças. O líder advertiu que, enquanto Israel permanecer em território libanês, o Hezbollah continuará sua "resistência". Tel Aviv, por sua vez, afirmou que não retirará suas tropas do país vizinho.

Israel ameaça com mais ataques. Ministro israelense da Defesa, Israel Katz, declarou na quinta-feira que as Forças de Defesa de Israel (IDF) continuariam suas operações em terra - ataques aéreos adicionais foram realizados ao longo do dia - e afirmou que Israel tinha "a liberdade de agir, com o apoio dos Estados Unidos, para atacar" a capital, Beirute.

Na noite de quarta-feira, um ataque aéreo atingiu a área ao redor de um parque onde dezenas de refugiados sírios estão acampados, sem deixar vítimas. Os bombardeios israelenses contra o Líbano mataram 3.526 pessoas desde o início do conflito, em 2 de março, e deslocaram mais de um milhão, segundo as autoridades. Do lado israelense, 27 soldados e um civil foram mortos no Líbano.

IMPACTO PARA EUA E IRÃ

Recusa do Hezbollah em aceitar o cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos diminui as chances de um acordo entre Teerã e Washington. O Irã condicionou qualquer acordo com os Estados Unidos a um fim definitivo das hostilidades no Líbano e chegou a insinuar que poderia romper a trégua para intervir em apoio ao Hezbollah.

Impasse amplia incerteza de paz no Oriente Médio. Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha afirmado repetidamente desde o final de março que os Estados Unidos e o Irã estão perto de um acordo, há poucas evidências de progresso diplomático.