Israel cogita fechar espaço aéreo em meio a troca de ataques com o Irã
(UOL/FOLHAPRESS) - Israel disse que está discutindo nesta manhã a possibilidade de fechar seu espaço aéreo devido a trocas de ataques com o Irã desde o final de semana, que marcou o fim do cessar-fogo de abril.
O Ministério dos Transportes do país afirmou ainda não ter tomado uma decisão. A ministra Miri Regev publicou nesta segunda-feira (8) que estava avaliando de forma contínua a situação com a administração da Autoridade de Aeroportos e todos os envolvidos profissionais.
Operações no aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, também podem ser interrompidas. O Comando da Retaguarda fez um pedido a pasta para que o número de presentes no local seja limitado a 2.500 pessoas.
Regev diz que discussões estão em andamento para "preservar a segurança dos passageiros". "Assim que forem tomadas decisões relacionadas à redução das operações ou ao espaçamento dos horários de decolagens e pousos, uma comunicação organizada será enviada ao público e às companhias aéreas."
Sistemas de defesa aérea de Israel estão ativados nesta manhã. O governo iraniano afirma ter atacado as bases aéreas de Nevatim e Tel Nof, mas não há informações de mortos ou feridos.
BOMBARDEIOS E APELO POR TRÉGUA
O novo episódio de tensão ocorre em meio a ataques e contra-ataques entre Israel e Irã. O presidente dos EUA fez um apelo neste domingo (7) à Israel e disse que "é ele quem manda em tudo" e não Benjamin Netanyahu.
A nova onda de violência começou após Israel bombardear a capital do Líbano. O Irã considerou o ataque contra Beirute, que mirou o Hezbollah, uma violação de limites toleráveis e disparou 11 mísseis contra Israel no domingo (7).
As ações militares colocam em risco o acordo de paz negociado pelos Estados Unidos. Trump vinha mediando conversas para encerrar o conflito e planejava assinar o tratado nesta semana.
nesta segunda-feira (8), Israel diz ter atingido uma planta petroquímica no sudoeste iraniano. O país fala que o complexo petroquímico de Mahshahr produzia materiais para a fabricação de mísseis balísticos, enquanto um funcionário provincial disse à agência de notícias semioficial iraniana Fars que partes da planta foram danificadas.
As forças israelenses também disseram ter realizado um ataque em larga escala contra os sistemas de defesa iranianos. A mídia iraniana relatou sons de explosões em Teerã na segunda-feira, e a agência de notícias semioficial Mehr informou que as defesas aéreas abateram um drone sobre a capital. Não houve relatos imediatos de vítimas ou danos.
TRUMP PEDE QUE OFENSIVA CESSE
Teerã afirma que os novos bombardeios com Israel tendem a agravar um processo diplomático que descreve como "caótico". O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, disse que o país troca mensagens com os EUA em um ambiente de "extrema suspeita".
Baghaei disse que ações de Israel no Líbano buscam sabotar a diplomacia, com ou sem conhecimento de Washington. Para ele, os EUA, por serem signatários do cessar-fogo, têm responsabilidade direta por violações do acordo, inclusive por ataques atribuídos a Israel.
O porta-voz afirmou que o mundo deveria se preocupar com o risco de um conflito regional mais amplo. "Os Estados Unidos são diretamente responsáveis por qualquer ação que o regime sionista (Israel) tome em relação à violação da paz e segurança regional contra o Irã", disse.
Baghaei citou a visita do ministro do Interior do Paquistão a Teerã, no domingo, como parte dos esforços de interlocução indireta com Washington. Ele não detalhou quais mensagens estariam sendo trocadas nem se houve avanço nas conversas.
Nesta manhã, Trump pediu que as ofensivas parem. "Israel e Irã devem parar imediatamente os disparos", escreveu em uma publicação na Truth Social.