Trump adverte Irã e diz que país é desonesto em meio a disputa de versões sobre acordo de paz

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio à disputa de versões sobre o acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio, o presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira (12) que o Irã é desonesto e advertiu que o país precisa "entrar nos eixos". Teerã tem negado as informações anunciadas pelo republicano na véspera, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano.

"Os termos que o Irã vazou (...) não têm nada a ver com os termos que foram acordados por escrito", declarou o presidente em sua rede social Truth Social. "Eles são muito desonestos quando se trata de negociar."

O acordo, portanto, segue incerto um dia após Trump ter anunciado que os países haviam, enfim, chegado a um consenso para finalizar o conflito iniciado há três meses. A agência de notícias estatal iraniana Irna afirmou nesta sexta que, ao contrário do que disse o presidente americano, ainda não há um acordo entre as duas partes sobre o programa nuclear iraniano.

Nesta quinta (11), Trump afirmou que o documento supostamente aprovado por ambas as partes é um "ótimo acordo", pois definia que o país persa "jamais terá uma arma nuclear".

Ainda segundo a Irna, não há uma definição sobre o programa nuclear no atual documento, e as conversas sobre o tema só serão realizadas em um prazo de até 60 dias após a assinatura. A diplomacia iraniana também esfriou as expectativas após o anúncio de Trump.

"Até o momento, o Irã não chegou a uma conclusão definitiva sobre o acordo", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei.

A interrupção do programa nuclear iraniano sempre foi um dos principais impasses entre os dois países, e o regime persa vinha demonstrando resistência em relação ao tema. A falta de um entendimento sobre o assunto também eleva dúvidas sobre a eficácia do suposto atual acordo.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou nesta sexta que o Irã não terá uma arma nuclear enquanto ele estiver no cargo e disse estar totalmente alinhado com o presidente Donald Trump sobre o tema.

Uma pessoa a par das negociações do lado ocidental afirmou à agência Reuters que o documento para interromper a guerra no Golfo poderia ser assinado já no próximo domingo (14).

Genebra, na Suíça, seria o local mais provável para o encontro. O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, e o presidente do Parlamento do Irã, Mohammed Baqer Qalibaf, participariam da cerimônia.

Ainda de acordo com o funcionário, o texto do documento ainda estava sendo finalizado e o Irã mantinha sua posição de que o acordo também deveria encerrar os ataques israelenses no Líbano. Os esforços estavam sendo voltados para que a redação fosse finalizada até sábado (13).

A agência iraniana Fars, no entando, citando uma pessoa próxima à equipe de negociação, disse que os relatos de assinatura em Genebra no domingo são falsos.

Trump afirmou na quinta que cancelou novos ataques ao Irã porque o acordo já estava pronto.

No entanto, os termos do documento descritos por autoridades iranianas nesta sexta parecem oferecer a Teerã grande parte do que vinha exigindo, enquanto Trump aparenta obter pouco do que buscava, além da reabertura do estreito de Hormuz.

A via marítima está praticamente bloqueada por Teerã desde o início do conflito.

Um funcionário de alto escalão do regime iraniano disse à Reuters nesta sexta que o rascunho do acordo prevê a suspensão das sanções ao petróleo iraniano, o desbloqueio de bilhões de dólares em fundos do país e a exigência de cessação dos ataques em todas as frentes, incluindo no Líbano.

As questões nucleares seriam deixadas para negociações futuras. Washington quer um acordo que garanta que o Irã nunca desenvolva uma arma nuclear.

A agência iraniana Mehr informou que os termos também incluem outras concessões importantes dos EUA, como o compromisso de retirar suas forças das proximidades do Irã e apresentar um plano para reconstruir a economia iraniana, devastada pelo conflito.

"Os Estados Unidos e seus aliados devem apresentar planos para a reconstrução do Irã no valor de pelo menos US$ 300 bilhões", afirmou a Mehr.

O conflito tornou-se um problema político para a Casa Branca, com pesquisas mostrando queda na aprovação de Trump em meio à insatisfação dos eleitores com os altos preços da gasolina.

Alguns republicanos demonstraram preocupação de que a impopularidade da guerra possa lhes custar o controle do Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato em novembro.