Talibã prende 30 mulheres no Afeganistão por violar hijab, alerta ONU
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Autoridades na cidade de Herat, no oeste do Afeganistão, prenderam pelo menos 30 mulheres, acusando-as de violar as regras de vestimenta impostas pelo Talibã, informou nesta quinta-feira (11) a agência da ONU para os direitos das mulheres.
A declaração veio após a repressão a protestos contra as prisões no distrito de Injil, em Herat, na terça-feira (9).
De acordo com a organização, pelo menos duas pessoas, incluindo um menino, foram mortas e mais de 20 ficaram feridas após disparos durante as manifestações, que reuniram dezenas de homens contra a detenção de mulheres por não usarem o chador ou a burca, vestimentas que cobrem completamente o corpo.
"As prisões aumentaram o medo e a apreensão entre mulheres e meninas em todo o Afeganistão", disse a ONU Mulheres, acrescentando que muitas das mulheres já haviam sido liberadas.
Autoridades da polícia moral do Talibã, o Departamento para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, detiveram algumas mulheres nos dias anteriores aos protestos por supostamente não cumprirem as regras do hijab.
A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) também fez denúncias na quinta-feira pela detenção de uma de suas funcionárias afegãs pela polícia moral de Herat. De acordo com a organização, a mulher foi acusada de "não respeitar o código de vestimenta".
"Finalmente, ela foi libertada em 8 de junho após ter que assinar, assim como seu marido e outros membros de sua família, um compromisso por escrito de usar no futuro o tipo de roupa imposto pelas autoridades", afirmou a MSF, que ressaltou que o incidente não é um caso isolado.
Forças locais negaram os relatos de que mulheres foram presas.
Desde que tomou o poder em Cabul em 2021, o Talibã impôs amplas restrições às mulheres e meninas no país devastado pela guerra, incluindo limites ao acesso à educação, emprego e esporte, gerando críticas internacionais.