EUA e Irã chegam a acordo para encerrar guerra, e assinatura está marcada para sexta, diz Paquistão

Por PATRÍCIA CAMPOS MELLO E BÁBARA GIOVANI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra entre os dois países e realizarão uma cerimônia oficial de assinatura na próxima sexta-feira (19), na Suíça, informou o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, em suas redes sociais na noite deste domingo (14), já madrugada de segunda no horário local.

O presidente americano, Donald Trump, havia anunciado no sábado (13) que o acordo seria assinado em 24 horas. No entanto, após vários alarmes falsos, sua declaração tinha sido encarada com ceticismo.

O tratado foi firmado mais de três meses após início do conflito, depois de intensa atividade diplomática por mediadores regionais.

Trump estava sob pressão para assinar um acordo de paz diante da alta desaprovação popular da guerra e alta recorde nos preços do diesel e gasolina nos EUA. O conflito derrubou a aprovação do presidente dos EUA para 35%, pior índice em seu segundo mandato. Ele assumiu com média de 52% de aprovação, segundo compilação de pesquisas do New York Times. Republicanos se preparam para as eleições de meio de mandato, em novembro, e pesquisas apontam grande desvantagem para o partido.

Os termos exatos do acordo entre EUA e Irã não foram revelados. O primeiro-ministro paquistanês disse que o pacto pedia o "término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano".

Múltiplas fontes disseram anteriormente à Reuters que a minuta do acordo reabriria o estreito de Hormuz.

O estreito, por onde passam 20% do petróleo e gás liquefeito do mundo, está fechado, na prática, há cem dias ?desde que Israel e Estados Unidos começaram a bombardear o Irã.

O fechamento da via marítima levou o valor do barril do petróleo a saltar de cerca de US$ 72 antes de 28 de fevereiro, início do conflito, para um pico de US$ 126 no final de abril.

Segundo a agência de notícias Reuters, fontes afirmaram que o acordo de paz também encerraria o bloqueio dos EUA aos portos iranianos e prorrogaria um cessar-fogo, deixando o programa nuclear do Irã para ser abordado durante um período de 60 dias de negociações adicionais.

O acordo acontece apesar de um ataque israelense ao Líbano no domingo (14), o que atraiu críticas tanto do Irã quanto do presidente dos EUA.

Segundo a agência estatal de mídia do Líbano, duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas. A ofensiva ocorreu após Tel Aviv acusar o grupo extremista aliado de Teerã de disparar três projéteis contra o norte do país.

No início do domingo, o negociador iraniano Mohammad Baqer Qalibaf disse que o último ataque de Israel aos subúrbios do sul de Beirute ?que Israel afirmou ter como alvo militantes do Hezbollah apoiados pelo Irã? mostrou que os Estados Unidos não têm "a vontade e a capacidade de cumprir seus compromissos", em uma publicação no X.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que responsabilizava os Estados Unidos pelo ataque. O Irã alertou para uma "resposta contundente", e seu comando militar conjunto de alto escalão afirmou que o "dedo (está) no gatilho", pronto para disparar contra o "coração do inimigo".

Em uma publicação em sua plataforma Truth Social no domingo (14), Trump disse que "o ataque desta manhã a Beirute não deveria ter acontecido, especialmente em um dia tão especial, quando estamos tão perto de um acordo de paz com o Irã".

Israel afirmou que não fez parte do acordo planejado entre os EUA e o Irã. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu divergiu de Trump em relação às exigências americanas de que Israel freasse suas ações militares no Líbano para permitir que os Estados Unidos chegassem a um acordo com o Irã.

O conflito entre Israel e o Hezbollah ?alinhado ao Irã no Líbano? foi reacendido pelo início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã em fevereiro.

Uma alta autoridade iraniana disse anteriormente à Reuters que, sob os termos da minuta do acordo, os Estados Unidos concordariam em liberar US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados, enquanto o Irã concordaria em não produzir ou adquirir armas nucleares. A autoridade afirmou que o Irã concordou em manter o status quo nuclear, incluindo a não realização de enriquecimento de urânio ou a expansão de instalações nucleares, até que um acordo final seja alcançado.

Com Reuters