Após ataques de Israel, Líbano diz esperar que acordo entre em vigor

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Após o anúncio de acordo entre EUA e Irã, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, comemorou que o país foi incluído na trégua e diz esperar a implementação definitiva do documento. Israel, no entanto, se recusa a parar ataques.

"Aprecio o que este memorando inclui em termos de respeito à especificidade libanesa", afirmou. Em comunicado divulgado pela presidência nas redes sociais, o homem disse estar satisfeito que a segurança do país constituiu uma "parte inseparável" de qualquer esforço sério para consolidar a estabilidade na região.

Para Aoun, a esperança é que de os entendimentos se transformem em passos práticos para por fim definitivo à violência. Segundo ele, esse é o desejo também do povo libanês, "especialmente os filhos das regiões que sofreram agressões e destruição, que perderam seus entes queridos, suas fontes de sustento e suas casas".

Além disso, o presidente agradeceu aos países que trabalharam para a inclusão do Líbano. "Espera-se que este desenvolvimento marque o início de um caminho mais amplo que fortaleça a estabilidade na região, preserve a soberania dos Estados e os direitos de seus povos, e permita aos libaneses dedicar-se à reconstrução do que foi destruído e à recuperação de suas vidas normais", acrescentou.

O governo libanês não comentou, até o momento, sobre a resistência de Israel em cessar os ataques. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou na madrugada de hoje, após anúncio de acordo, que o país não vai retirar suas tropas do sul do Líbano.

FORÇAS ISRAELENSES SEGUIRÃO NO LÍBANO, DIZ MINISTRO

Katz declarou que as forças israelenses vão continuar em zonas de segurança por tempo indeterminado. "Netanyahu e eu lideramos uma política clara de que as forças de Israel permanecerão no Líbano, Síria e Gaza", disse o ministro.

Esta é a primeira manifestação oficial de um líder israelense sobre o cessar-fogo. O anúncio do acordo ocorreu na noite de domingo.

O plano de Israel prevê a destruição de toda a infraestrutura militar nessas áreas. O ministro afirmou que os moradores locais vão desocupar as zonas e que as casas usadas como postos de ataque serão destruídas.

O governo de Israel se opõe à desocupação mesmo sob pressão internacional. Katz avalia que manter o controle dessas áreas está entre as maiores conquistas militares do país na guerra.

O recado sobre a permanência das tropas já foi passado ao governo norte-americano, conforme o ministro. Netanyahu conversou com Trump, e Katz transmitiu a mesma posição ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth.

Katz também fez um alerta direto ao governo iraniano. "Se o Irã atacar Israel por causa dos acontecimentos no Líbano, nós o atacaremos com toda a nossa força", declarou o ministro.