Ataque de Israel atinge carro e deixa feridos no Líbano, diz agência
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um ataque de drone israelense atingiu um carro na cidade de Kfar Tebnit, no sul do Líbano, na manhã desta segunda-feira (15). A ação ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciar um acordo de cessar-fogo entre Israel e Irã para encerrar o conflito.
O bombardeio de drone deixou pessoas feridas no sul do país. A informação sobre as vítimas foi divulgada pela NNA (Agência Nacional de Notícias) do Líbano.
Disparos de artilharia israelense também atingiram a mesma região. Os ataques ocorreram em Kfar Tebnit e na cidade vizinha de Nabatieh al-Fawqa, segundo a agência estatal libanesa.
As IDF (Forças de Defesa de Israel em tradução livre) não comentaram o ataque. Os militares de Israel não se manifestaram imediatamente sobre os bombardeios ocorridos nesta manhã.
ACORDO PARA FIM DA GUERRA COM LÍBANO
Donald Trump e o Irã anunciaram na noite deste domingo (14) o fechamento de um acordo para o fim do conflito entre os países. O Estreito de Hormuz será reaberto, informou o líder norte-americano. O governo israelense não se pronunciou sobre uma proposta de trégua internacional.
O acordo proposto busca encerrar os combates em território libanês. A proposta negociada prevê o fim das hostilidades no país.
Trump fez o anúncio em publicação na Truth Social e parabenizou a todos pelo acordo. O republicano afirmou autorizar a abertura integral de Hormuz sem pagamento de pedágio, bem como a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos ao Irã.
"O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído", afirmou. "Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir", acrescentou o norte-americano.
Cerca de uma hora após o anúncio, o republicano fez outra postagem e chamou a negociação de um "grande acordo". Segundo o norte-americano, a medida trará paz e segurança para toda a região. Trump declarou que todos presidentes anteriores tentaram negociar com os iranianos, mas não obtiveram sucesso: "Os líderes da região encontraram, pela primeira vez, um presidente que pode ajudá-los a alcançar a verdadeira paz".
"Com a abertura do Estreito após a assinatura do Acordo na sexta-feira [dia 19], para fins de remoção de minas, o petróleo voltará a fluir em ambas as extremidades para a região e para o mundo!", disse Trump, em postagem no Truth Social.
Já o Irã afirmou que o texto do acordo foi finalizado e será assinado na próxima sexta-feira, na Suíça. O vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais do Irã, Kazem Gharibabadi, disse ter passado muitas horas de hoje com a delegação do Qatar em Teerã para discutir o memorando de entendimento do conflito e apontar as observações que os iranianos tinham sobre o documento. A declaração foi divulgada no perfil da Irna (agência oficial de notícias do governo do Irã) no Telegram.
Irã declarou que duas questões terão impacto a partir da manhã desta segunda-feira (15). A primeira é o fim do conflito em todas as frentes, de forma permanente e imediata, incluindo o Líbano. A segunda é o fim do bloqueio naval norte-americano à República Islâmica do Irã. "Os compromissos do Irã entrarão em vigor após a assinatura oficial na sexta-feira", disse Gharibabadi.
O vice-chanceler ainda destacou que firmar um acordo com os EUA não significa que o Irã confia no "inimigo". "Foi escrito com desconfiança ativa. Monitoraremos a implementação dos compromissos dos EUA", acrescentou em entrevista televisionada, segundo a agência de notícias Tasnim.
Primeiro-ministro do Paquistão afirmou no X que a negociação foi alcançada. Com a decisão, declarou Shehbaz Sharif, os dois lados determinaram o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Segundo o Paquistão, a cerimônia de assinatura do acordo será realizada na Suíça. Sharif agradeceu ambos os lados pelo compromisso em encontrar uma solução diplomática para o conflito, estendendo a declaração ao Qatar pelo apoio na iniciativa de paz. Os agradecimentos também foram estendidos à Arábia Saudita e à Turquia pelas "imensas contribuições".
"Com o acordo agora em vigor, os mediadores facilitarão uma série de reuniões esta semana. Essas discussões pré-implementação estabelecerão as bases para as negociações técnicas e a cerimônia oficial de assinatura", disse Sharif.
Até o momento, Israel não se manifestou sobre o anúncio dos países. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também não comentou as declarações.
Trump criticou a postura de Netanyahu. Em entrevista ao The New York Times, o presidente americano afirmou que o premiê israelense realizou ataques que quase comprometeram o entendimento final com Teerã.
Segundo o republicano, o acordo foi firmado apesar das objeções de Netanyahu. Trump disse também que salvou Israel de uma ameaça existencial. Segundo ele, o acordo impede que o Irã obtenha uma arma nuclear e evita riscos ao Estado israelense.
Ele é um cara muito difícil e, para ser honesto, ele deveria nos agradecer por termos feito isso. Porque se o Irã tivesse uma arma nuclear, Israel não duraria nem duas horas. Donald Trump
Forças armadas iranianas disseram ter "humilhado" os EUA e Israel. O Irã "impôs sua vontade divina e de aço a inimigos americanos e sionistas humilhados. Demonstrou que o inimigo não tem outra opção além de aceitar a derrota e se render", declarou o Estado-Maior iraniano em um comunicado divulgado pela televisão estatal.