França e Reino Unido dizem estar prontos para missão militar no estreito de Hormuz

Por JOÃO CAMINOTO

ÉVIAN-LES-BAINS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - O presidente francês Emmanuel Macron disse, na tarde desta segunda-feira (15), durante a abertura do G7 nos Alpes franceses, que França e Reino Unido estão prontos para liderar uma missão militar conjunta de escolta e remoção de minas no estreito de Hormuz, tão logo o acordo de paz entre Washington e Teerã seja confirmado.

Em entrevista à emissora de televisão francesa TF1 concedida em Évian, Macron disse que o porta-aviões Charles de Gaulle permanece na região e pode ser posicionado no estreito em um prazo de dois a três dias.

Segundo ele, aeronaves de vigilância e uma fragata poderiam ser enviadas ainda nesta terça-feira (16). "Os franceses podem ter orgulho, porque seus militares vão poder, nas próximas horas, participar desse esforço de estabilização", disse o presidente francês.

A missão envolve também holandeses e italianos já presentes na região. Mas é a parceria franco-britânica que lidera a operação. Londres e Paris coordenaram nos últimos dias a posição conjunta sobre o estreito e integraram, junto com Alemanha, Japão e Itália, uma declaração divulgada na manhã desta segunda pedindo a reabertura imediata e incondicional de Hormuz.

O estreito, bloqueado há mais de cem dias, é passagem obrigatória de cerca de um quarto de toda a produção mundial de petróleo e gás. O fechamento levou o barril do Brent a disparar para mais de US$ 120 no pico da crise.

Macron alertou para uma questão que pode complicar a reabertura: a possibilidade de o Irã cobrar pedágio pela passagem dos navios. A imprensa iraniana ventilou a hipótese, que teria sido negociada com os americanos. O presidente francês disse que isso não é aceitável.

"Não está de acordo com o direito internacional", afirmou, acrescentando que a prioridade imediata é ver os navios circulando novamente -mas que a questão do pedágio será discutida na cúpula.

Para o consumidor, Macron disse esperar que os efeitos da reabertura cheguem aos postos de combustível em poucas semanas. Mas fez uma ressalva: a queda nos preços depende de que os mercados se convençam de que a reabertura é real e duradoura.

"Se isso se confirmar, os mercados cairão imediatamente. Mas para as cadeias de fornecimento voltarem a funcionar, vai levar algumas semanas."

O presidente também sinalizou que a questão não se resolve apenas reabrindo o estreito. Macron defendeu a construção de rotas alternativas de escoamento de petróleo e gás --pipelines que atravessem Iraque, Síria, Líbano, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita-- para reduzir a dependência de Ormuz no longo prazo. "Isso significa construir infraestrutura, e esse é o compromisso do G7", disse.

A cúpula do G7 prevê para esta terça uma sessão sobre o Oriente Médio com a presença de Egito, Arábia Saudita e Catar, além do presidente ucraniano Volodimir Zelensky em outra sessão dedicada à guerra na Ucrânia. O acordo entre Washington e Teerã, anunciado no domingo, tem assinatura formal marcada para sexta-feira (19) em Genebra.