Irã e Estados Unidos assinam acordo de paz, e medidas já estão em vigor
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Irã e os Estados Unidos confirmaram nesta quarta-feira (17) ter assinado um acordo que põe fim à guerra no Oriente Médio. Dan Scavino, assessor de Donald Trump, publicou um vídeo do americano assinando o documento durante encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron. Um porta-voz iraniano, por sua vez, disse que o regime o fez de forma eletrônica.
"O texto do memorando de entendimento de Islamabad foi finalizado com a assinatura dos presidentes. Agora é hora de testar a implementação desse acordo", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghai, mencionado pela agência estatal Irna. Ele acrescentou que uma cerimônia presencial, cogitada para a próxima sexta-feira (19) na Suíça, agora "não faz sentido".
Trump republicou em sua rede Truth Social um vídeo em que a emissora Fox News noticia a assinatura do documento, com as mesmas imagens divulgadas primeiramente por Scavino. O americano não teceu comentários.
Macron também publicou um vídeo em que está ao lado de Trump durante a assinatura, que ocorreu dentro do Palácio de Versalhes. "Este acordo abre caminho para uma paz duradoura e permite a reabertura do estreito de Hormuz", disse o francês. "É um passo importante na direção certa para nossos compatriotas."
Washington e Teerã chegaram a um memorando de entendimento de 14 pontos para pôr fim ao conflito iniciado em 28 de fevereiro pelos ataques dos EUA e de Israel contra a República Islâmica, que se espalhou pela região e causou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano. O acordo assinado inclui também a cessação dos confrontos no Líbano.
O líder do grupo Hezbollah, Naim Qasem, classificou o entendimento de "grande vitória" para o Irã, país ao qual agradeceu por ter insistido em incluir a frente libanesa. Em discurso transmitido pela televisão, ele pediu que se aproveitasse o acordo para "expulsar Israel" do território libanês.
O Líbano foi arrastado para o conflito quando o Hezbollah disparou foguetes contra Israel em 2 de março, em apoio ao Irã. O líder do Hezbollah também instou o governo libanês a encerrar as negociações diretas com Tel Aviv, iniciadas em abril sob a mediação de Washington. O presidente Joseph Aoun, por sua vez, havia afirmado anteriormente que esse processo é independente do acordo entre EUA e Irã.
O texto do memorando, lido por um funcionário americano, prevê que os EUA suspendam as sanções à venda de petróleo iraniano, bem como o bloqueio aos portos do país persa. As medidas, em tese, entraram em vigor após a assinatura do documento.
Washington deverá suspender também todas as sanções contra Teerã caso seja alcançado um acordo definitivo, ao término de um período de negociações de 60 dias.
Ao longo desses dois meses, os países discutirão uma solução para as reservas iranianas de urânio enriquecido, que estão no centro das acusações dos EUA de que Teerã busca desenvolver armas nucleares. A proposta prevê a diluição do material sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O Irã deverá permitir, no prazo de 30 dias, o restabelecimento completo do tráfego marítimo no estreito de Hormuz, cujo bloqueio prejudica a economia mundial. Mas, segundo o principal negociador iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, o canal "não voltará à situação anterior à guerra", com trânsito livre.
"O Irã tem direito soberano sobre Hormuz e, é claro, cobraremos uma taxa por serviços", afirmou.
Ainda de acordo com o memorando de entendimento, o Irã "tomará as medidas necessárias, fazendo todo o possível, para garantir a passagem segura de navios comerciais" pelo estreito.
Os EUA se comprometem também, em caso de acordo definitivo, a facilitar "com seus parceiros regionais" um fundo de US$ 300 milhões para a reconstrução e o desenvolvimento econômico do Irã, sem que isso implique qualquer participação financeira de Washington.
Em declaração conjunta, os membros do G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido) saudaram o acordo como "uma oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear e para lidar com as ameaças relacionadas às suas atividades regionais e balísticas".
A China, por sua vez, disse durante uma conversa por telefone entre o ministro das Relações Exteriores do país, Wang Yi, e seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi, considerar essencial que "todas as partes" apliquem esse acordo e evitem "ingerências externas".
O chefe da diplomacia chinesa, cujo país depende em grande medida das importações de petróleo do Golfo, insistiu na necessidade de que a navegação no estreito de Hormuz seja "gerenciada de forma adequada, respondendo com prudência às profundas preocupações da comunidade internacional".
Mais cedo, Trump afirmou que o acordo de cessar-fogo com o Irã ainda não é definitivo e que pode voltar a bombardear o país caso não fique satisfeito com o resultado das negociações.
"É um memorando de entendimento. E, se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, lançando bombas na cabeça deles", disse o americano durante a cúpula do G7 na França. "Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos imediatamente a lançar bombas na cabeça deles", reiterou.