Pais biológicos abrem mão de bebê trocado em fertilização nos EUA

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os pais biológicos de uma bebê que nasceu após troca de embriões em uma clínica de fertilização nos EUA disseram estar arrasados após decidir não disputar a guarda da criança.

Os pais biológicos disseram estar "de coração partido" com o caso. O advogado Rob Marcereau afirmou à NBC News que seus clientes estão "arrasados" com a situação e também entendem que Tiffany Score e Steven Mills, o casal que criou a bebê desde o nascimento, também estão sofrendo.

Eles decidiram não brigar pela guarda da bebê. Segundo Marcereau, os pais biológicos tiveram de tomar a "decisão dolorosa" de não disputar judicialmente a guarda da criança.

A decisão foi tomada após encontros com o casal que criou a menina. O advogado disse que as reuniões entre as duas famílias tiveram "muitas lágrimas e abraços".

Os pais biológicos entenderam que uma disputa longa seria ruim para a criança. Marcereau afirmou que seus clientes enfrentariam uma batalha judicial difícil e concluíram que prolongar o caso não atenderia ao interesse de Shea.

O acordo permite que eles continuem na vida da bebê. A menina seguirá sob guarda permanente de Tiffany Score e Steven Mills, mas os pais biológicos poderão manter contato com ela, segundo o advogado.

A bebê nasceu após troca de embriões em uma clínica de fertilização na Flórida. Tiffany Score e Steven Mills tiveram Shea em dezembro de 2025, após tratamento de fertilização in vitro no Fertility Center of Orlando.

Exames genéticos mostraram que a bebê não tinha vínculo biológico com o casal. Score e Mills, que são brancos, buscaram testes genéticos após notarem características físicas diferentes das deles na criança, segundo a ação judicial citada pela NBC News. Os exames indicaram que Shea é 100% sul-asiática.

O caso levou à identificação dos pais biológicos. Eles permanecem anônimos e aparecem nos documentos judiciais, de acordo com a NBC News, apenas como "Patient 004".

As famílias chegaram a um acordo de guarda. O acordo confidencial foi apresentado à Justiça da Flórida em 12 de junho de 2026 e confirmou que Tiffany e Steven continuariam responsáveis legais permanentes pela guarda da criança.

Tiffany e Steven processam a clínica e os profissionais envolvidos no tratamento. O casal acusa o Fertility Center of Orlando e o médico Milton McNichol de negligência. Eles também tentam esclarecer o destino de outros embriões armazenados na clínica.

A clínica encerrou suas atividades. Segundo o jornal USA Today, os pacientes foram informados de que outra unidade passaria a funcionar no local. O Fertility Center of Orlando anunciou o fechamento em março deste ano, enquanto as investigações continuam.