Britânica acusada de matar namorado pode receber pena de morte em Dubai

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Uma influencer britânica de 23 anos foi presa em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, acusada de matar o namorado a facadas, e pode ser condenada à morte por fuzilamento se for considerada culpada.

Brooke George foi acusada de homicídio premeditado pela morte do namorado em Dubai. A informação foi divulgada nesta quinta-feira pela ONG Detained in Dubai. A influencer britânica, de Gravesend, em Kent, foi presa no domingo (22), após a morte de um homem com quem mantinha relacionamento e que teria conhecido pela internet.

A influencer pode ser condenada à morte se for considerada culpada. A Detained in Dubai afirma que Brooke pode enfrentar pena de morte por fuzilamento pela legislação dos Emirados Árabes Unidos.

A versão apresentada pela ONG é que Brooke agiu em legítima defesa. Segundo a Detained in Dubai, a jovem afirma que pegou uma faca de cozinha durante uma agressão do namorado porque "temia pela própria vida".

A ONG afirma que a relação teria se tornado abusiva na segunda viagem dela a Dubai. Brooke disse que o namorado passou a agir de forma controladora e violenta, teria retido seu passaporte e a atacado no apartamento onde estavam.

O governo britânico diz que presta assistência à família. O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido afirmou à BBC que está em contato com uma britânica detida nos Emirados Árabes Unidos, apoia os familiares e mantém contato com autoridades locais.

Na última postagem no Instagram, feita há três semanas, Brooke aparece de biquíni em uma praia, com prédios de Dubai ao fundo. A Detained in Dubai citou uma sessão profissional de fotos de biquíni, organizada durante a primeira viagem dela ao emirado, como um dos pontos que geraram preocupação em pessoas próximas à jovem.

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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

A Detained in Dubai pede que o caso seja tratado como violência doméstica. A organização afirma que Brooke deve ser solta sob fiança durante a investigação e receber atendimento médico, acesso a advogado e assistência consular britânica.

A ONG também levantou suspeitas sobre as circunstâncias da viagem. A presidente da Detained in Dubai, Radha Stirling, disse que pessoas próximas a Brooke ficaram preocupadas com a possibilidade de ela ter sido atraída a Dubai "sob falsos pretextos".

A entidade cita uma série de pontos que teriam aumentado a preocupação de familiares e amigos. Entre eles estão a passagem só de ida, a suposta retenção do passaporte, uma sessão de fotos profissional de biquíni organizada na primeira viagem e mensagens em que Brooke teria dito a amigos que "as coisas não pareciam certas".

Brooke teria tentado sair do país após o episódio. Segundo a Detained in Dubai, a família diz que ela deixou o apartamento em estado de choque e tentou voltar para casa.

O QUE DIZ A MÃE

A mãe de Brooke disse que percebeu uma mudança no comportamento da filha antes do caso. Thereza George afirmou, em relato divulgado pela Detained in Dubai, que a jovem estava mais quieta e não parecia a mesma depois de voltar a Dubai pela segunda vez.

Ela afirmou que a filha estava "absolutamente aterrorizada" após o episódio. Segundo Thereza, Brooke chorava muito e estava com um dos olhos inchado quando falou com a família depois da morte do namorado.

A mãe disse acreditar que Brooke tentava voltar para casa. Thereza afirmou estar "profundamente preocupada" com o bem-estar da filha e disse acreditar que ela tentava escapar do que havia acontecido em Dubai

ALEGAÇÕES SOBRE A PRISÃO

A ONG afirma que Brooke não teve acesso imediato a advogado nem à embaixada. A Detained in Dubai diz que a jovem teria prestado declarações sem a presença de defesa e sem assistência consular adequada.

Brooke também relatou ter sido obrigada a tirar a roupa diante de policiais homens. Segundo a ONG, ela estava detida na delegacia de Bur Dubai quando teria passado pela situação, sem a presença de uma policial mulher. A organização classificou o episódio como humilhante e angustiante.

As autoridades de Dubai não haviam se manifestado publicamente sobre o caso.