Número de mortos em terremotos na Venezuela chega a 920, afirma regime
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O número de mortos nos terremotos que devastaram a Venezuela na quarta-feira (24) aumentou novamente e chegou a 920, afirmou nesta sexta (26) o regime da líder interina do país, Delcy Rodríguez. Segundo o balanço mais atualizado, o número de feridos passou de 4.300.
O ritmo das atualizações tem sido irregular, e os comunicados vêm de diferentes autoridades do regime. No primeiro anúncio após os sismos, que ocorreram por volta das 19h, horário de Brasília, autoridades falaram em 32 mortos. O número só foi revisado na manhã de quinta, para 164 mortos. Na tarde do mesmo dia, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, irmão de Delcy, disse que eram 188 mortos, valor revisado à noite para 235. O número de feridos mais recente, por sua vez, foi dado pelo ministro da Saúde Carlos Alvarado durante entrevista à TV local.
À medida que socorristas trabalham nos prédios destruídos, espera-se que a quantidade de vítimas siga aumentando drasticamente. Em comunicado, Delcy disse que, para ajudar na resposta ao desastre, o regime está "militarizando" o estado de La Guaira, região costeira que foi a mais atingida pelos terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5.
O governo do Brasil confirmou dois cidadãos brasileiros entre os mortos, sem entrar em detalhes a respeito de suas identidades. A modelo Vanessa Zacarias da Silva, 44, é uma das duas vítimas, segundo informações compartilhadas por familiares.
O governo de Portugal disse que nove cidadãos morreram e outros 56 estão desaparecidos. Também estão entre os mortos dois cidadãos chineses e um ítalo-venezuelano. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manual Albares, disse que três cidadãos espanhóis morreram no desastre e outros 99 estão desaparecidos.
O serviço geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou pelo menos 10 mil mortos após os tremores ?o número faz parte de uma escala técnica segundo a qual há 42% de chances de que o número total de óbitos fique entre 10 mil e 100 mil.
A oposição venezuelana compartilhou sites criados espontaneamente para registrar desaparecidos ?o número seria de 56 mil pessoas com paradeiro desconhecido. Segundo estimativa do chefe de ajuda humanitária da ONU, há mais de 50 mil desaparecidos.
De acordo com dados do governo espanhol, 147 mil cidadãos do país europeu vivem na Venezuela. O ministro Albares, que está no México junto do rei Felipe 6º para reuniões bilaterais, pediu que os espanhóis que estão em território venezuelano de forma temporária, a turismo ou em viagem de negócios, "entrem em contato com os serviços consulares" para registro.
Madri disse ainda que 59 militares, acompanhados de cães farejadores, já desembarcaram no país caribenho para auxiliar nas buscas. O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez pretende mobilizar um valor inicial de 1 milhão de euros para apoiar os trabalhos da Cruz Vermelha "para atender as necessidades imediatas do povo irmão da Venezuela", segundo Albares.
Equipes do Chile, México, El Salvador e Suíça também já desembarcaram no país com socorristas e suprimentos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o envio de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) com ajuda humanitária. O primeiro decolou do aeroporto de Guarulhos na manhã desta sexta.
Foram enviados também membros dos corpos de bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de especialistas da Defesa Civil e da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), de acordo com comunicado da FAB.
O governo dos EUA disse na quinta que o general Kevin Jarrard desembarcou na Venezuela para "supervisionar, planejar e conduzir" operações das Forças Armadas americanas com o objetivo de prestar ajuda humanitária e "salvar vidas".
O regime venezuelano, comandado por Delcy Rodríguez desde a invasão americana que capturou o ditador Nicolás Maduro, pediu formalmente ajuda de Washington após os terremotos.
Socorristas trabalharam ao longo de toda a madrugada de sexta para resgatar pessoas presas em escombros. A agência de notícias Reuters ouviu moradores reclamarem que a ajuda oficial tarda a chegar nos lugares mais afetados.
"Meu filho de 19 anos está preso embaixo do concreto, e não há máquinas para tirá-lo de lá", disse Yamileth Jimenez à agência na cidade de La Guaira, capital do estado homônimo. Já Suhayl Sarquiz diz ter perdido tudo: "Meu prédio está destruído e não tenho mais nada", afirma a mulher de 50 anos, que está desempregada.
A moradora Beatriz Rodríguez disse ter perdido um sobrinho, enquanto outro precisou ter as pernas amputadas. O regime venezuelano confirmou que ao menos 250 prédios foram danificados ou destruídos, incluindo oito hospitais e a embaixada da França em Caracas ?o número ainda pode aumentar drasticamente. A ONU estima que 7 milhões de pessoas, cerca de 25% da população da Venezuela, tenha sido afetada de alguma forma pelo desastre.
As Forças Armadas venezuelanas estão montando hospitais de campanha na região de La Guaira ?conforme anunciado em comunicado oficial? e terão capacidade para realizar cirurgias de emergência. Ainda na quinta, uma equipe da Reuters na cidade viu um comboio militar perto do estádio local realizando operações de ajuda humanitária.
Dois hotéis cinco estrelas da região estão entre as estruturas que desabaram. Equipes de resgate e voluntários subiram nas montanhas de escombros do que foram torres de até 15 andares para buscar eventuais vítimas. A principal estrada que margeia La Guaira se partiu em vários pontos e está intransitável em alguns deles. O aeroporto internacional da região, o principal do país, também foi fechado devido aos danos em sua infraestrutura.