Calor extremo na Europa quebra recordes e pressiona sistema de saúde
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A onda de calor que avança pela Europa quebrou recordes de temperatura em diferentes países e mantém serviços públicos sob pressão.
Dinamarca registrou 36,6°C, neste sábado, e bateu o dia mais quente desde o início das medições. O Instituto Meteorológico Dinamarquês afirmou que a marca foi registrada ao norte de Odense e que o recorde histórico é contabilizado desde 1874.
Reino Unido teve, pelo terceiro dia seguido, o recorde de calor para junho, com 36,9°C. A agência meteorológica Met Office informou que a sequência de máximas elevadas manteve o país em situação incomum para esta época do ano.
Alemanha anotou 41,3°C em Saarbrücken e estabeleceu seu recorde absoluto de temperatura. O Serviço Meteorológico Alemão também emitiu alerta de calor extremo e disse que, localmente, não descarta temperaturas de até 42°C.
Suíça superou pela segunda vez o recorde de junho, com 38,8°C em Basileia. A central nuclear de Beznau foi paralisada para evitar o superaquecimento das águas do rio usadas no resfriamento dos reatores.
O calor acima de 35°C atingiu uma faixa ampla do continente, com estimativa de 193 milhões de pessoas expostas. A contagem inclui cerca de 75 milhões de pessoas na Alemanha, segundo análise de dados baseada em previsões meteorológicas e projeções populacionais.
França começou a ver o fenômeno perder força, mas o governo alertou que a pressão sobre a saúde ainda deve durar. Após reunião do comitê interministerial de crise presidida pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, a avaliação foi de que o efeito do calor pode aparecer com atraso, com desidratação e descompensação de doenças.
Hospitais e serviços de urgência relataram alta forte na demanda, e o país acionou o Plan Blanc. Esse é protocolo hospitalar de emergência do país, que mobilizou profissionais da reserva de saúde para reforçar as equipes. A onda de calor está se deslocando para o leste, e um "fim gradual do fenômeno até a noite de domingo" é esperado, segundo o gabinete do primeiro-ministro.
As chamadas ao Samu em Paris e subúrbios subiram 80%. Já os prontos-socorros receberam 36% mais pacientes do que em um dia normal, segundo dados citados pelo governo.
O sistema de saúde já registra um pico de atividade ligado à onda de calor, que "não diminui apenas porque o tempo muda", observa a nota do primeiro-ministro. Na sexta-feira, os prontos-socorros receberam 36% mais pacientes do que em um dia normal. A taxa de internação após o atendimento na emergência permanece estável em cerca de 20% no geral, chegando a mais de 50% para pacientes com 75 anos ou mais. E o número de ligações para os serviços de emergência dobrou para casos relacionados a paradas cardíacas, destacou o governo.
Em meio ao calor intenso, a população é orientada a repousar, evitar atividades esportivas, manter-se hidratada e prestar atenção especial a crianças e idosos. Os profissionais alertam para os riscos das altas temperaturas para os jovens, apontando "vários casos de parada cardiorrespiratória entre jovens que realizam esforço físico", destaca Jean-François Cibien.