Israel retoma ataques no sul do Líbano um dia após acordo ser assinado
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Israel voltou a atacar o sul do Líbano na noite de ontem em meio a um acordo de cessar-fogo assinado na sexta-feira.
As Forças de Defesa de Israel informaram ter identificado "vários terroristas armados" do Hezbollah em Nabatieh. A região fica próxima à zona de segurança na qual tropas israelenses operam no sul do país e onde uma pessoa teria morrido durante os bombardeios -de acordo com a agência oficial NNA.
Militares dizem ter atacado o grupo e a estrutura de onde eles operavam. Além disso, alegaram em comunicado, terem destruído um lançador de foguete da organização extremista.
As FDI não permitirão que a organização terrorista Hezbollah prejudique civis israelenses ou soldados das FDI, e continuarão a atuar para eliminar ameaças. Exército de Israel
O líder do movimento xiita libanês descreveu ontem o acordo como um "grave erro". Naim Qassem acusou o governo libanês de fazer concessões unilaterais que legitimam a ocupação militar de Israel por muitos anos. Por isso, dizia que a trégua era nula e sem efeito.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou uma "permanência prolongada" do exército israelense no país vizinho. "Enquanto permanecemos atualmente na maior parte do território [libanês], o Estado libanês não desarmará o Hezbollah", afirmou ele em seu canal no Telegram. Considerando que o governo libanês inclui "ministros do Hezbollah, não se pode confiar que o Líbano confiscará as armas" do grupo, e que "apenas soldados israelenses" as destruirão, sublinhou ele.
Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, saudou o acordo, que descreveu como "um golpe contra o Irã e o Hezbollah". "Concluímos um acordo histórico para o Estado de Israel, após negociações diretas" com o Líbano, disse, em uma coletiva de imprensa.
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, depois que o Hezbollah disparou foguetes contra Israel em apoio a grupos palestinos ao Irã, que enfrentava uma ofensiva israelense. Israel retaliou com intensos ataques aéreos e uma invasão terrestre no sul do Líbano, onde suas tropas ocupam vastas áreas de território e causam grande destruição em casas e prédios.
O acordo delineia um plano para transferir gradualmente o controle de zonas-piloto no sul do país para o exército libanês, com o objetivo final de permitir o retorno dos civis. O documento, alcançado após cinco rodadas de negociações em Washington, representa um "primeiro passo" para restaurar a soberania do Líbano, livre de "ocupação", "subordinação" ou "tutela", afirmou o presidente libanês, Joseph Aoun, na sexta-feira.