Lula pede um minuto de silêncio para vítimas de Venezuela em cúpula do Mercosul

Por DANIELA ARCANJO

ASSUNÇÃO, PARAGUAI (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu um minuto de silêncio durante a cúpula do Mercosul, nesta terça-feira (30), para as vítimas do terremoto na Venezuela, que somam 1.719 mortos e 5.034 feridos até agora. Calcula-se que os tremores da última quarta (24) tenham matado dezenas de milhares.

"Eu quero começar a minha fala dedicando a minha solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela diante das perdas humanas e materiais incalculáveis causadas pelos terremotos da semana passada", afirmou o petista em Assunção, no Paraguai, onde o bloco se reúne para o encontro.

"Tragédias como essa nos convidam a refletir sobre a importância da solidariedade e da integração regional."

O brasileiro reafirmou que falou com a líder interina do país, Delcy Rodríguez. Nesta terça, conforme Lula já havia adiantado, o ministro da Defesa brasileiro, José Múcio, realiza uma visita oficial ao país, na qual se reunirá com a política que ocupa o cargo de Nicolás Maduro desde a captura do ditador pelos Estados Unidos, em janeiro.

O Brasil ofereceu ajuda logo nas primerias horas da tragédia. Dois dias após o terremoto, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional enviou uma equipe humanitária para apoiar as buscas, e, desde o sábado (27), um hospital de campanha montado pela Marinha do Brasil opera em La Guaira, região mais afetada pelo sismo, com capacidade para realizar 150 atendimentos por dia.

Há apenas um mês, Brasília ajudava a Bolívia, mergulhada em protestos que sitiaram a capital, La Paz, por semanas. A pedido do presidente Rodrigo Paz, o Brasil enviou toneladas de alimentos para o país vizinho.

"Bolívia não se sentiu sozinha, sua democracia não se sentiu sozinha. Estamos dando passos fortes para construir um novo momento no continente", afirmou o político nesta terça, em seu discurso no Mercosul, em referência ao apoio de países da região.

A declaração é uma referência ao que vem sendo chamado de "onda azul", com a chegada ao poder de líderes de direita na América do Sul.

Nesse contexto, Lula afirmou que o bloco "permanece como o principal espaço institucional em uma região cada vez mais polarizada". Nos últimos anos, outros espaços diplomáticos, como Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) tem enfrentado esvaziamento.

"O projeto de integração sul-americano deve estar acima de qualquer divergência ideológica. A melhor opção é fortalecer nossos mecanismos de diálogo e cooperação e ampliar nossa capacidade de atuação conjunta", afirmou o presidente brasileiro, para quem as eleições na Colômbia e no Peru, que levaram os direitistas Abelardo de la Espriella e Keiko Fujimori ao poder, "demonstraram a resiliência institucional em nossa região".

"O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente, senão a gente nunca vai ter um bloco realmente forte funcionando", afirmou.