Múcio se reúne com Delcy, e Brasil promete ajudar na reconstrução da Venezuela
CARACAS, VENEZUELA E LA GUAIRA, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - O ministro da Defesa brasileiro, José Múcio, realizou visita oficial à Venezuela nesta terça-feira (30), onde se reuniu em Caracas com a líder interina Delcy Rodríguez. O encontro ocorreu no que é um centro cultural da PDVSA, a estatal petroleira.
O representante do governo Lula (PT) prestou solidariedade ao país, disse que a ajuda emergencial será ampliada e também que existe disposição para contribuir com a reconstrução da Venezuela após os terremotos gêmeos da semana passada.
"Foi um momento extraordinário de muito terror", disse Delcy à delegação brasileira no trecho da reunião que a reportagem pôde acompanhar. "As pessoas estão muito impactadas psicologicamente, muito exaltadas. Uma porta bate e já acham que foi uma nova réplica."
Sobre os tremores secundários, a líder do regime disse que o país já espera por mais sismos. Um membro da comissão de avaliação de habitações, Francisco Garcés, afirmou em resposta a ela que se espera ao menos mais uma réplica de no máximo 6 pontos de magnitude.
Múcio estava acompanhado da vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês da Silva Magalhães, e do secretário nacional de Habitação, Augusto Henrique Alves Rabelo. A ideia é que o Brasil ajude a mapear o tamanho da destruição causada pelos terremotos gêmeos da semana passada e pense em planos de cooperação para reconstrução urbana.
"A prioridade segue sendo salvar vidas e encontrar aqueles que ainda estão nos escombros", disse o chefe da Defesa após o encontro com a líder chavista. "Depois, será preciso encontrar terrenos, antes de fazer as construções. Viemos para dizer que estamos à disposição, ainda que este não seja o momento para discutir isso."
A Caixa tem experiência na tragédia que assolou o Rio Grande do Sul, por exemplo, e também já trabalhou com a Venezuela, na época do governo de Hugo Chávez. Segundo os representantes do Brasil, canais de diálogo foram criados para troca de experiência do que já foi feito pelo Brasil em termos de reconstrução urbana.
Múcio disse que ao menos 20 dias são necessários para que os venezuelanos comecem a sinalizar como Brasília poderia ajudar na reconstrução.
Magalhães, da Caixa, afirmou que hoje nem sequer são conhecidos os terrenos que estão seguros para contar com novas construções.
Pela manhã, Múcio esteve com seu homólogo, o ministro venezuelano Gustavo González López, para coordenar a ajuda fornecida pelo Brasil. "Precisamos ver onde podemos ajudar mais. A simpatia que o meu presidente [Lula] tem pela Venezuela é absoluta", disse o brasileiro no início da reunião. "A partir de agora, Brasil e Venezuela são um só país."
O ministro da Defesa venezuelano agradeceu a presença das equipes de resgate internacionais. Trinta e dois países enviaram ajuda, incluindo equipes de resgate, 400 cães farejadores e mantimentos para doação.
Os ministros se reuniram em uma área não afetada do Aeroporto Internacional de Maiquetia Simón Bolívar, a poucos quilômetros da capital venezuelana. A parte comercial do aeroporto começa, aos poucos, a ser restabelecida após sofrer danos estruturais nos terremotos gêmeos que atingiram o país na quarta-feira (24).
Já a área anexa, utilizada em voos presidenciais, continuou funcionando. Dezenas de militares dos Estados Unidos também estavam no local.
Números oficiais indicam que pelo menos 15 mil pessoas estão desalojadas na região de La Guaira, ainda que a realidade em campo se mostre muito superior. A ansiedade sobre se poderão ou não voltar para seus lares ou se terão um novo lugar para morar em breve é disseminada entre as pessoas.
Desde sexta-feira (26), o governo brasileiro enviou quatro voos de ajuda humanitária à Venezuela, segundo o Ministério das Relações Exteriores. A operação mobilizou equipes de busca e resgate urbano da Força Aérea Brasileira, bombeiros militares de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, seis cães farejadores e técnicos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e da Agência Nacional de Telecomunicações.
As aeronaves também transportaram um hospital de campanha da Marinha do Brasil, 48 profissionais de saúde, medicamentos e insumos suficientes para atender cerca de 1.500 pessoas durante um mês, além de cem purificadores de água movidos a energia solar, capazes de produzir até 5 mil litros de água potável por dia cada.
As equipes brasileiras atuam principalmente na região de La Guaira, onde já resgataram ao menos duas pessoas com vida dos escombros, afirma o Itamaraty.