Caças F-39 Gripen entram em operação para proteger espaço aéreo em Brasília

Por FÁBIO PESCARINI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Brasil começou a usar nesta terça-feira (24) seus aviões de caça F-39 Gripen para defender Brasília no caso de um ataque.

Na prática, o alerta de defesa aérea no Planalto Central, como é chamada a operação, coloca oficialmente os caças em ação quase 12 anos depois da assinatura de contrato para compra das aeronaves de origem sueca, no fim de 2014.

Atualmente, a FAB (Força Aérea Brasileira) conta com dez Gripen sediados na Base Aérea de Anápolis (GO).

É da cidade goiana, onde fica o 1º GDA (Grupo de Defesa Aérea) Jaguar, que decolarão os caças caso seja necessário.

A zona rural de Anápolis está a apenas cinco minutos de Brasília em voo com Gripen, capaz de atingir 2.400 km/h --aproximadamente duas vezes a velocidade do som.

Inaugurada em 1972 para abrigar os primeiros caças supersônicos a equiparem a FAB, os franceses Dassault Mirage 3, a base foi projetada para proteger o coração do país.

No dia 13 de novembro passado, a Folha de S.Paulo acompanhou -pela primeira vez desde a chegada dos Gripen ao país, em 2020 e incorporado à Força Aérea Brasileira em 2022- todo o processo de preparação do piloto até a decolagem.

Uma 11ª unidade do Gripen está em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, onde a sueca Saab e a Embraer mantêm uma fábrica para montagem de uma versão nacionalizada do caça -o primeiro modelo está previsto para ser apresentado no próximo dia 25 de março, em cerimônia que deverá contar com a cúpula da Aeronáutica e do presidente Lula.

O programa brasileiro prevê 36 Gripen, oito deles com dois lugares -são chamados de E e F, respectivamente.

Pelo cronograma inicial, os caças deveriam estar todos entregues no ano passado, inclusive os 15 previstos para serem produzidos no interior de São Paulo. A previsão atual é de entrega final em 2032.

O novo caça passa a ser usado na defesa aérea de Brasília menos de uma semana depois de a Folha mostrar que o governo pediu às Forças Armadas uma análise da vulnerabilidade de defesa aérea do Brasil após a recente captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

A aeronave passou por uma fase decisiva de testes que certificou sua capacidade bélica. No último dia 6, por exemplo, a FAB e a Saab realizaram os primeiros lançamentos de bombas com o Gripen em treinamento no Brasil. O exercício foi realizado na Base Aérea de Natal.

No total foram realizadas 15 horas de treinamentos com configurações tanto simétricas quanto assimétricas de lançamentos.

Em novembro passado, a FAB realizou o primeiro lançamento de um míssil pelo seu novo caça. Foi disparado um modelo europeu Meteor, de custo estimado em R$ 12,4 milhões, contra um drone perto da costa do Rio Grande do Norte.

O Meteor é o mais avançado modelo do tipo no mercado, de uma geração mais recente do que os modelos do tipo na América Latina, o AIM-120C americano usado pelo Chile e o R-77 russo, operado por Peru e Venezuela. O Brasil não tinha nada parecido.

Na sequência, no Rio de Janeiro, ocorreram os primeiros disparos com um canhão alemão de 27 mm. No mesmo período também houve o fim da campanha dos testes de reabastecimento em voo pelos cargueiros Embraer KC-390.

"O caça multimissão de última geração é empregado em missões de defesa aérea, ataque ao solo e reconhecimento, reunindo sistemas, sensores e armamentos modernos, elevada disponibilidade e baixo custo operacional", afirma a FAB, em nota.

O contrato do Brasil para compra dos 36 caças foi estimado na época em US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 23,7 bilhões na cotação atual).