Aliados de Lula veem efeito limitado de isenção do IR na popularidade do presidente
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Pesquisas eleitorais e outras projeções têm frustrado a expectativa de aliados do presidente Lula (PT) que apostavam em um desempenho melhor após a adoção de medidas populares, como isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais.
Colaboradores diretos do presidente têm dito, em conversas reservadas, que imaginavam ver o petista com a popularidade mais alta a oito meses da eleição.
A avaliação é que as medidas econômicas ainda não foram convertidas em capital eleitoral para o petista, que disputará mais um mandato à frente do Palácio do Planalto em outubro.
O provável principal adversário de Lula na eleição deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem conseguido consolidar seu nome, como mostram pesquisas eleitorais do início deste ano.
Além disso, durante o Carnaval, trackings ?tipo de pesquisa de opinião menos preciso, mas de produção mais rápida, feito para detectar tendências no debate público? aos quais governistas tiveram acesso mostraram um desgaste maior de Lula. As sondagens também indicam uma ascensão de Flávio.
Pesquisa Quaest divulgada em dezembro passado, 11 dias depois de Flávio anunciar sua pré-candidatura, mostrou o senador com 36% das intenções de voto no segundo turno, contra 46% de Lula ?uma diferença de 10 pontos percentuais.
A edição mais recente do levantamento, publicado há duas semanas, mostrou Lula com 43% das intenções de voto para o segundo turno contra 38% de Flávio, uma diferença de cinco pontos.
A mesma pesquisa mostrou que a desaprovação ao presidente está em 49%, enquanto a aprovação é de 45%.
Em fevereiro começaram a ser pagos os primeiros salários depois do aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda, que zerou os descontos de trabalhadores formais que recebem até R$ 5.000 mensais e reduziu os de quem ganha até R$ 7.350. A medida é a principal aposta de Lula para ampliar seu eleitorado.
Parte dos integrantes do governo e dos petistas que trabalham pela reeleição do presidente avaliam que ainda é cedo para aferir o impacto da isenção na opinião pública.
Um dos argumentos estaria no volume de despesas que a classe média tem entre o final de um ano e o começo de outro, como festas de Natal e Ano-Novo, além do IPVA. Por esse raciocínio, a folga no orçamento familiar só será percebida nos próximos meses.
Aliados do presidente da República apontam que o ritmo de publicidade do governo federal desacelerou no final do ano passado e que deve se recuperar nos próximos meses. Também avaliam que nas últimas semanas o debate político ficou em segundo plano, com festas como o Carnaval tomando o protagonismo.
Outra ala do governo admite, também sob reserva, que, em um cenário polarizado, programas sociais e ações de combate às desigualdades não sensibilizam o eleitorado bolsonarista, mais receptivo à pauta de costumes. Por isso, os adversários do presidente exploraram o desfile em homenagem ao presidente na escola de samba Acadêmicos de Niterói.
É consenso entre aliados do presidente da República que a eleição deste ano será acirrada. Eles consideram Lula favorito, mas sem uma vantagem confortável.
Alguns dos auxiliares do petista acreditam ser possível que a disputa seja resolvida no primeiro turno, mas não porque algum dos candidatos terá uma votação arrasadora. A tese é que o eleitorado ficará polarizado entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nesse cenário, com poucas chances de um terceiro concorrente obter um bom resultado, seria factível que um dos dois favoritos atingisse mais da metade dos votos já na primeira votação, com o segundo colocado ficando com uma porcentagem próxima.
