PF mira ex-senador Fernando Bezerra Coelho e filhos em operação sobre suspeita de desvio de emendas

Por JOSÉ MARQUES

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (25) em uma apuração sobre suspeitas de desvios de emendas do ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e de um dos seus filhos, o deputado Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE).

Outro filho do ex-senador, o ex-prefeito de Petrolina (PE) Miguel Coelho, também foi alvo da operação, chamada Vassalos e autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Entre os locais que foram alvo de busca e apreensão, estão a prefeitura de Petrolina e a unidade local da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). Os alvos também tiveram os seus sigilos telefônicos quebrados.

Durante a manhã, o advogado do ex-senador e filhos, André Callegari, disse que "não teve acesso à decisão do ministro Flávio Dino, porque os mandados vieram desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares. Após o acesso aos autos a defesa irá se manifestar".

Fernando Bezerra Coelho foi ministro da Integração Nacional de Dilma Rousseff (PT) e líder do governo de Jair Bolsonaro (PL) no Senado. Já Fernando Coelho Filho foi ministro de Minas e Energia no governo Michel Temer (MDB).

A investigação mira suspeitas de crimes e fraudes em licitações e contratos, além de peculato, corrupção, de dinheiro e organização criminosa.

A PF aponta que houve "enriquecimento ilícito cumulado ao desvio de valores públicos" de Bezerra e seu filho por meio do envio de emendas a Petrolina e à unidade da Codevasf em contratos celebrados com a empresa Liga Engenharia.

O foco são emendas destinadas a Petrolina, nicho eleitoral dos Coelho, e onde ficam negócios da família na região.

Os mandados foram cumpridos nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. Não houve buscas no Congresso Nacional.

De acordo com a decisão de Dino, não há necessidades de busca no gabinete de Fernando Coelho Filho porque "não há plausibilidade de que atos ilícitos estejam lá documentados, à vista da predominância de eventos no estado de Pernambuco".

A investigação aponta a existência de uma organização composta por agentes públicos e privados suspeita de desviar recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, por meio do direcionamento de licitações para empresa vinculada ao grupo, com posterior utilização dos valores desviados no pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio.

A PF diz que a Liga Engenharia é a principal beneficiada com contratos de pavimentação desde 2017, primeiro ano da gestão de Miguel Coelho na cidade, e desde então foi favorecida com ao menos R$ 100 milhões em empenhos.

"Boa parte desse montante (pelo menos R$ 22 milhões) advieram de recursos repassados pela Codevasf ao aludido município", diz a PF. "A Liga Engenharia não prestou serviço para nenhum outro município pernambucano, afora Petrolina, além do que não havia prestado qualquer serviço para esse mesmo município nas gestões anteriores."

"A empresa já foi beneficiada, ainda, com mais de R$ 48 milhões em pagamentos, entre novembro de 2019 e março de 2021, oriundos do Ministério do Desenvolvimento Regional e suas estatais", acrescenta. A polícia ainda diz que um dos sócios da Liga tinha relações com a família Coelho.

A reportagem não localizou a defesa da Liga Engenharia.