Tarcísio diz que tem orgulho de ser de direita, deve tudo a Bolsonaro e que Flávio fará a diferença

Por ANA LUIZA ALBUQUERQUE E CAROLINA FARIA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O senador Flávio Bolsonaro (PL) encontrou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Palácio dos Bandeirantes, na manhã desta sexta-feira (27), e afirmou que os dois vão "fazer história juntos".

Em rede social, Flávio chamou Tarcísio de "amigo" e disse que estarão juntos não apenas em São Paulo para devolver "a esperança a todos os brasileiros".

Após o encontro no Palácio, eles seguiram para a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) para uma homenagem ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Em seu discurso, Tarcísio disse que Flávio fará a diferença, se referiu a ele como futuro presidente e afirmou que os dois tiveram "um excelente papo sobre Brasil" pela manhã.

"É a pessoa que vai unir a todos num projeto convergente, que nos mostre o caminho da responsabilidade fiscal, que cuide das próximas gerações e que restabeleça a ordem", disse.

O governador também afirmou que tem "muito orgulho de fazer parte da direita, de enaltecer a fé cristã, a defesa da propriedade, da vida, da segurança". Disse ainda que deve tudo e que tem "a maior gratidão" ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Tarcísio também fez um aceno a André do Prado (PL), que tenta se cacifar para a vice. "É uma pessoa que tem feito a diferença, construído trabalhos com muita liderança, que topou discussões difíceis."

O governador teceu longos elogios a Valdemar, de quem um dia foi desafeto. Disse que o presidente do PL herdou "ousadia e compromisso" de seu pai, se referiu a ele pelo apelido de "boy" e afirmou que Valdemar foi companheiro "mesmo nas horas difíceis" e que "nunca abandonou ninguém".

Tarcísio disse ainda que o PL esteve junto com ele na campanha ao governo, em 2022, e que, ao lado de Bolsonaro, Valdemar criou um grande movimento, "que vai ganhar cada vez mais força".

Políticos que acompanharam a campanha eleitoral de 2022 no estado relatam que, embora o PL estivesse na aliança de Tarcísio, Valdemar atuou pela reeleição de Rodrigo Garcia (sem partido) na ocasião.

No primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), quando diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Tarcísio promoveu demissões de apadrinhados de Valdemar. Naquela época, o PR (antigo PL) controlava a pasta e teve suas indicações exoneradas numa "faxina" anticorrupção.

IDA PARA O PL

Tarcísio e Flávio chegaram na Alesp por volta das 11h, aguardados no estacionamento pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), pelo presidente da Alesp, deputado André do Prado (PL), e pelo deputado estadual Alex Madureira (PL).

Tarcísio disse que o encontro foi "excelente". Questionado se os dois haviam "aparado as arestas", respondeu que não havia nada para aparar.

O governador também foi questionado se haviam discutido uma possível filiação dele ao PL e disse que o assunto não estava na pauta. Valdemar pressionou Tarcísio a se filiar ao partido ao longo de 2024 e, nesta quinta-feira (26), disse à reportagem que faria um novo convite.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o PL de Flávio vem tentando abocanhar a vaga de vice na chapa do governador à reeleição, hoje ocupada por Felício Ramuth (PSD). O nome trabalhado pelo partido é o do deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia.

Nas últimas semanas, têm circulado na casa uma lista de assinaturas em apoio à indicação de André à vice. Deputados ouvidos pela reportagem, porém, afirmam que esse pode ter sido um erro de estratégia, porque Tarcísio pode entender que está sendo pressionado.

Interlocutores do governador costumavam afirmar que sua preferência era manter Ramuth no cargo. Na semana passada, porém, veio à tona a informação de que o vice é investigado pela Justiça de Andorra, sob suspeita de ter lavado mais de US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,3 milhões), o que ele nega.

Na segunda-feira (23), questionado pela imprensa, Tarcísio disse que "fofoca antes de eleição sempre tem" e negou que o caso influencie na formação da chapa.

O secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), correligionário de Ramuth, também vinha tentando se cacifar para o posto, mas sua relação com o governador está degradada, como mostrou a Folha de S.Paulo.

ENGAJAMENTO NA CAMPANHA DE FLÁVIO

Desde o fim do ano passado, Tarcísio vinha sendo pressionado e criticado por bolsonaristas porque não havia ainda manifestado um apoio mais enfático à pré-candidatura de Flávio. O grupo acreditava que o governador estava insatisfeito porque não havia sido escolhido pelo ex-chefe, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para concorrer à Presidência.

No fim de janeiro, Tarcísio chegou a cancelar uma visita a Bolsonaro na Papudinha, depois que o senador disse que o encontro aconteceria para que o pai enquadrasse o ex-ministro. O cancelamento piorou o clima com os aliados do ex-presidente.

Na ocasião, questionado pela imprensa, o governador disse que nunca foi pressionado por Bolsonaro e afirmou que "vai trabalhar muito" em prol de Flávio. Desde então, Tarcísio saiu da mira dos bolsonaristas.

A homenagem a Valdemar foi proposta pelo seu pupilo, o deputado André do Prado. Interlocutores avaliam que o evento é mais uma oportunidade para o parlamentar tentar se consolidar como opção para a chapa. Valdemar reeceberá o Colar de Honra ao Mérito Legislativo.