Múcio usa guerra no Irã para reforçar necessidade de investimentos em defesa

Por RAQUEL LOPES

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que o Brasil acompanha com atenção a escalada de tensão no Oriente Médio após recentes ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e defendeu a ampliação dos investimentos militares no Brasil.

Ele argumentou que o fortalecimento das Forças Armadas é essencial para a segurança nacional e não pode ser deixado em segundo plano diante de outras demandas sociais.

A declaração foi dada à imprensa nesta segunda-feira (2) após a primeira cerimônia de incorporação de mulheres ao serviço militar inicial feminino.

O ministro defendeu que o cenário global atual, em que o mundo todo se armou, exige que o Brasil fortaleça sua capacidade de dissuasão para proteger seu território e suas riquezas.

Múcio afirmou que o país precisa se preparar para um contexto internacional mais adverso, mas disse que a diplomacia permanece como principal instrumento de atuação externa, tendo a paz como objetivo final.

"Nós nos preparamos para tempos difíceis, mas estamos torcendo sempre pela paz", afirmou.

Múcio disse que o Brasil destina atualmente apenas 1% de seu PIB para a área e classificou esse valor como muito pouco. Ele defendeu que o país deveria atingir um patamar mínimo de 2% e ressaltou que outros países chegam a investir entre 5% e 7% de seus respectivos PIBs no setor.

O ministro relatou ter levado essa preocupação diretamente ao presidente Lula (PT), argumentando que, embora saúde, educação e habitação sejam prioridades indiscutíveis, a defesa é igualmente fundamental para a soberania do Estado.

Segundo ele, o presidente concordou com a necessidade e já autorizou a liberação gradual de recursos para projetos estratégicos das Forças Armadas.

O Ministério da Defesa realizou nesta segunda-feira (2) a primeira cerimônia de incorporação de mulheres ao serviço militar inicial feminino. Ao todo, 1.467 serão distribuídas por 51 municípios de 13 estados e do Distrito Federal, sendo 157 na Marinha, 1.010 no Exército e 300 na Força Aérea.

O serviço militar inicial feminino permite, de forma voluntária, que mulheres, ao completarem 18 anos, ingressem no serviço militar com os mesmos direitos e deveres atribuídos aos homens.