Como o Datafolha faz suas pesquisas eleitorais
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Datafolha ouve ao menos 2.000 pessoas com 16 anos ou mais para retratar a intenção de voto do eleitorado brasileiro a cada pesquisa. As entrevistas são feitas presencialmente, em pontos de fluxo nas ruas, e seguem critérios estatísticos para que a amostra represente o conjunto da população.
Criado em 1983 como departamento de pesquisas do Grupo Folha, o instituto adotou o nome Datafolha no ano seguinte, quando fez seu primeiro levantamento eleitoral --sobre a eleição indireta que levou Tancredo Neves à Presidência.
Atualmente, o Datafolha realiza as entrevistas em pelo menos 113 cidades de pequeno, médio e grande porte, em todas as regiões do país. São cerca de 160 pesquisadores em campo para a coleta de dados. O instituto não realiza pesquisas eleitorais sob encomenda para políticos ou partidos. Os levantamentos são contratados por veículos de comunicação com obrigação contratual de divulgar os resultados.
Como os entrevistados são escolhidos
A seleção é feita por etapas. Primeiro, são sorteados os municípios que farão parte do levantamento. Depois, os bairros e os pontos onde as entrevistas serão aplicadas. Na fase final, o instituto utiliza cotas proporcionais de gênero e idade, com base em dados do IBGE e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Outras variáveis sociodemográficas, como escolaridade, renda, ocupação e religião, são acompanhadas pelo instituto com base em seu histórico de pesquisas. A amostra deve refletir o total do eleitorado brasileiro.
A cada nova rodada, o Datafolha faz um sorteio de cidades e pontos de abordagem. O objetivo é evitar que partidos atuem nos locais de pesquisa e impedir que os mesmos moradores sejam entrevistados mais de uma vez, o que viciaria a amostra.
O entrevistador não pode saber previamente quem será abordado, e nenhuma pessoa pode se oferecer para responder ao questionário.
Por que na rua, e não por telefone
O Datafolha optou pela abordagem presencial em pontos de fluxo. Segundo o instituto, pesquisas telefônicas representativas do total do eleitorado são inviáveis no Brasil porque parcela significativa dos brasileiros não possui linha fixa em casa.
"Apesar de praticamente todo mundo ter telefone celular, as pessoas não atendem as ligações e nem todos têm a mesma disponibilidade para atender ligações ao longo do dia", afirma a diretora-geral da instituição, Luciana Chong.
A abordagem nas ruas também evita a dificuldade de acesso a residências em condomínios, edifícios e favelas.
Controle de qualidade
O Datafolha verifica uma amostra de 20% do material de cada pesquisador.
"Para essa checagem, utilizamos a inteligência artificial, que faz a comparação das respostas dos entrevistados em áudio com as respostas anotadas pelo pesquisador", diz Chong.
Quando é identificado algum problema, a equipe de qualidade checa o total das entrevistas realizadas pelo pesquisador e, se necessário, esse material é refeito. Além disso, há um monitoramento considerando o histórico eleitoral da cidade e os resultados obtidos na amostra. Todas as entrevistas são gravadas.
O que é a margem de erro
Toda pesquisa por amostragem tem uma margem de erro --a diferença tolerada entre o valor medido e o valor real que se quer aferir. Os levantamentos nacionais do Datafolha têm, em geral, margem de erro máxima de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Isso significa, de forma simplificada, que, se 100 amostras fossem retiradas simultaneamente da mesma população, 95 delas teriam resultados dentro desse intervalo.
Empate técnico e oscilação
O empate técnico ocorre quando a diferença entre dois candidatos está dentro das margens de erro --ou seja, quando os intervalos de confiança se sobrepõem. Pelo mesmo princípio, se as intenções de voto de um candidato variaram dentro da margem de um levantamento para outro, diz-se que ele oscilou, não que cresceu ou caiu.
Ordem das perguntas
A disposição das questões no questionário pode influenciar as respostas. Por isso, o Datafolha não faz perguntas que mencionem nomes de candidatos, partidos ou avaliações de governo antes das perguntas sobre intenção de voto.
Registro e divulgação
Os institutos precisam registrar seus levantamentos na Justiça Eleitoral até cinco dias antes da divulgação. O registro informa quem contratou a pesquisa, o valor pago, a metodologia, o período de realização e os estatísticos responsáveis. O TSE não tem acesso prévio aos resultados.
O Datafolha só registra suas pesquisas antes de realizá-las. O instituto se opõe ao registro posterior à coleta, prática que abre espaço para uso estratégico dos levantamentos como instrumento de marketing político.
O Datafolha publica em seu site as bases estatísticas completas e as segmentações detalhadas após a divulgação dos resultados gerais.
