Flávio Bolsonaro tem o dobro de Lula entre evangélicos, aponta Datafolha

Por ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Se dependesse só do eleitorado evangélico, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria um cenário eleitoral para lá de favorável. No embate com o presidente Lula (PT), o primogênito de Jair Bolsonaro (PL) chega a ter o dobro de intenções de voto nesse nicho cristão, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (7).

Em disputas estimuladas, quando os nomes de pré-candidatos à Presidência são apresentados de antemão, Lula é o preferido de quatro em cada dez eleitores, com 45% entre católicos e no máximo 23% entre crentes. Já Flávio marca até 34% no total, mas alcança metade da parcela evangélica, enquanto tem 30% entre adeptos do catolicismo no melhor cenário possível para ele.

O instituto apresentou vários arranjos eleitorais possíveis, considerando pré-candidatos correndo por fora da polarização entre lulismo e bolsonarismo. Por exemplo, há simulações que levam em conta a presença dos governadores Eduardo Leite (PSD-RS) e Ronaldo Caiado (PSD-GO).

O Datafolha também pôs à prova um confronto sem Flávio e com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) ocupando esse lugar à direita. Tarcísio teria 21% dos votos, sendo a opção de 31% dos evangélicos e 19% dos católicos. A performance mais fraca pode ser efeito colateral da sua candidatura ser uma hipótese considerada remota, ao menos desde que o ex-presidente Bolsonaro cravou o endosso ao filho.

Nos vários cenários testados pelo Datafolha, o governador Ratinho Jr. (PSD-PR) é o terceiro nome mais bem posicionado entre os evangélicos. Vai a 13% quando Tarcísio entra no páreo, e Flávio fica de fora.

A sondagem realizada entre 3 e 5 de março, com 2.004 entrevistados e registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026, revela um clivagem religiosa acentuada entre Lula e Flávio.

Na menção espontânea de voto para presidente, quando o entrevistado responde sem ver lista de candidatos, o petista lidera na amostra universal com 25% e apresenta desempenho particularmente forte entre católicos, chegando a 30%. Entre evangélicos, porém, seu índice cai para 12%.

O senador aparece com 12% no cômputo geral, mas tem desempenho mais robusto justamente entre crentes: 18%, contra 10% entre católicos.

"Atual presidente" e "candidato do PT", bem como Jair Bolsonaro, inelegível e preso, também são citados pelos eleitores.

Católicos representam 48% das entrevistas feitas pelo instituto, e evangélicos, 28%, reflexo aproximado do recorte religioso do país detectado pelo Censo 2022. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos entre fiéis alinhados ao Vaticano, e de quatro pontos no bloco derivado do protestantismo.

O contraste ajuda a explicar a força do campo bolsonarista no eleitorado evangélico, e Flávio vem se empenhando para estreitar relações com a liderança nacional do segmento.

Ele tem realizado uma série de visitas a grupos fortes do campo: CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil), Igreja Quadrangular, Universal do Reino de Deus e outras. Passou a virada do ano num megaevento gospel conduzido pelo pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha.

Deve acontecer também uma reunião com o pastor Silas Malafaia, que já criticou sua chapa por achá-lo eleitoralmente fraco. Agora que Flávio se consolidou como competitivo na disputa contra Lula, a tendência é a de essas arestas sejam aparadas. O ex-presidente da bancada evangélica Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara e aliado de Malafaia, tem acompanhado o senador na peregrinação por igrejas.

Diferentemente do pai, que se aproximou dos evangélicos sem nunca deixar de se declarar católico, Flávio foi criado sob princípios batistas -igreja que era frequentada por sua mãe, Rogéria Bolsonaro. Ele diz que sua conversão para valer, contudo, aconteceu só em 2022. Hoje é ligado à Comunidade das Nações, do bispo JB Carvalho.