Bolsonaro é internado em UTI com quadro de broncopneumonia
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 70, foi levado a um hospital de Brasília nesta sexta-feira (13) e está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com um quadro de broncopneumonia bacteriana nos dois pulmões, um tipo de infecção que afeta bronquíolos e alvéolos.
Em comunicado, o hospital DF Star informou que o ex-presidente chegou à unidade com febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios.
"[Bolsonaro] foi submetido a exames de imagens e laboratoriais que confirmaram broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. No momento, encontra-se internado, em unidade de terapia intensiva, em tratamento com antibioticoterapia venosa e suporte clínico não invasivo", diz a nota.
O boletim é assinado pelo médico cardiologista Brasil Caiado, por Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Júnior, coordenador da UTI geral do DF Star, e por Allisson B. Barcelos Borges, diretor-geral do hospital.
Em entrevista a jornalistas no DF Star, Brasil Caiado afirmou que não há previsão de alta para Bolsonaro e que não há expectativa de cirurgia até o momento. Segundo o médico, esse é o quadro mais grave de pneumonia que o ex-presidente já teve.
"Em geral, antibiótico, terapia venosa, em quadro de pneumonia grave bilateral, você pode estimar por mais de 7 dias, 8, 10, 12 [de internação], mas é impossível falar. Depende muito da resposta do organismo dele ao antibiótico", declarou.
Bolsonaro chegou à unidade de saúde com suporte de oxigênio nasal e foi submetido à tomografia e exames laboratoriais. Ele está sendo medicado com dois antibióticos administrados na veia e ainda apresenta sintomas de tontura e dores musculares, de acordo com o médico.
"Ele estava bem ontem à noite, foi um quadro agudo que se imagina que começou por volta das duas, três horas da manhã. A reação foi muito rápida dessa infecção", disse.
Segundo o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a infeccção pulmonar do pai foi resultado da aspiração de líquidos do estômago quando ele soluça.
"Nunca o pulmão dele encheu de tanto líquido que veio da broncoaspiração, do líquido que vem do seu estômago. Isso é perigosíssimo, pode se alastrar para uma grande infecção. Graças a Deus, chegou aqui rápido, está ali sob fortes antibióticos", declarou Flávio.
O senador relatou que o pai teve febre, calafrios e vomitou bastante. Ele pediu novamente que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), relator do caso na corte, transfira Bolsonaro para prisão domiciliar.
"Estão brincando com a vida do meu pai. Não dá mais para ficar com essa postura de achar que isso aqui é algum tipo de frescura, ou ficar com essa paranoia de que ele pode fugir. Cumpra-se a lei. O mínimo que ele deveria ter é essa domiciliar humanitária em casa, onde ele pode ter cuidado permanente da família, cuidado permanente técnico de enfermagem, onde possa estar num ambiente melhor. Porque está, mais uma vez, comprovado que onde ele está a tendência é que vá piorando o quadro de saúde dele."
O apelo pela prisão domiciliar humanitária foi reforçado pelo advogado de Bolsonaro Paulo Cunha Bueno.
Em publicação no X (ex-Twitter), ele afirmou que a defesa tem insistido na necessidade da transferência de Bolsonaro para casa, "diante de um quadro de saúde que demanda cuidados e precauções que jamais poderão ser dispensadas em qualquer estabelecimento prisional, por melhores condições que apresente".
"A situação de hoje, que traz um sintoma grave, foi reiteradamente vaticinada inclusive em laudos recentes que instruíram o último pedido de prisão domiciliar, o qual foi sumariamente negado pelo ministro relator", escreveu.
Moraes autorizou que Michelle permaneça como acompanhante do ex-presidente durante a internação e liberou visitas dos filhos do ex-presidente: Flávio, Carlos, o vereador Jair Renan (PL-SC) e Laura.
"Na data de hoje, a direção do Núcleo do Custódia do 19º Batalhão da Polícia Militar informou que o apenado Jair Messias Bolsonaro apresentou quadro súbito de mal-estar em sua cela e que, após avaliação clínica inicial realizada no próprio local, foi constatada a necessidade de remoção hospitalar", diz trecho da decisão do ministro.
Moraes determinou que o 19º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela Papudinha, faça a segurança de Bolsonaro 24 horas por dia com, no mínimo, dois policiais militares na porta do quarto onde está o ex-presidente e com equipes dentro e fora da unidade.
"Está vedado o ingresso na unidade de terapia intensiva ou no quarto hospitalar de computadores, telefones celulares ou quaisquer dispositivos eletrônicos, salvo obviamente os equipamentos médicos, devendo a polícia assegurar o cumprimento da restrição", completou o magistrado.
Em relatório enviado ao Supremo, a Polícia Militar do Distrito Federal afirmou que Bolsonaro apresentou quadro súbito de mal-estar em sua cela na madrugada desta sexta e precisou ser atendido pela equipe médica de plantão na Papudinha, que entendeu ser necessária a transferência imediata para o hospital.
"Em cumprimento à recomendação médica foi prontamente mobilizada escolta policial, sendo realizada de imediato a condução do custodiado ao Hospital DF Star, onde permanece sob acompanhamento médico e escolta policial", diz o documento.
Em 1º de janeiro, o ex-presidente teve alta hospitalar após fazer uma cirurgia de hérnia. À época, Moraes negou pedido da defesa pela prisão domiciliar.
Bolsonaro cumpre pena após ser condenado por liderar uma trama golpista depois da derrota nas eleições de 2022. Ele foi preso na sede da PF em 22 de novembro, após ter violado a tornozeleira eletrônica. Antes disso, estava preso em sua residência.
A transferência para a Papudinha ocorreu em janeiro. Em março, a defesa de Bolsonaro fez um novo pedido de domiciliar, que também foi negado por Moraes. A decisão do ministro foi referendada depois pela Primeira Turma do STF.
Na avaliação da defesa, a permanência de Bolsonaro na Papudinha é arriscada para a saúde do ex-presidente, "seja pela limitação estrutural inerente ao cárcere, seja pela dependência de arranjos contingentes e de difícil manutenção no tempo".
De acordo com o magistrado, os problemas de saúde do ex-presidente podem ser monitorados e tratados no local onde ele está preso. A Papudinha dispõe de assistência médica 24 horas, unidade avançada do Samu e livre acesso para a equipe médica de Bolsonaro.
Moraes mencionou "a total adequação do ambiente prisional às necessidades médicas do apenado, com absoluto respeito à sua saúde e à dignidade da pessoa humana". Também citou o episódio em que Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica.
Segundo ele, diante de "reiterados descumprimentos das medidas cautelares durante toda a ação penal" e do resultado da perícia médica oficial, "não se verifica a presença dos requisitos excepcionais para a concessão de prisão domiciliar humanitária".
"As condições e adaptações específicas da unidade prisional atendem, integralmente, as necessidades do condenado, com a possibilidade e efetiva realização de serviços médicos contínuos, com múltiplos atendimentos diários, realização de sessões de fisioterapia, atividades físicas, assistência religiosa, além de garantir ao réu, em absoluta garantia do princípio da dignidade da pessoa humana, o recebimento de numerosas visitas de familiares, parentes, amigos e aliados políticos", escreve o relator.