CPI do Crime Organizado aprova convocação de ex-noiva de Vorcaro e rejeita ouvir Valdemar
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Senado sobre o crime organizado aprovou, nesta quarta-feira (18), a convocação da empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para prestar depoimento ao grupo.
A aprovação atendeu a pedidos do senador Marcos do Val (Podemos-ES) e do relator da CPI, Alessandro Vieira (MDB-SE).
Eles argumentaram que a presença de Martha seria importante devido ao teor de mensagens trocadas com o banqueiro apreendidas pela Polícia Federal, que citam, por exemplo, encontros com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Já a convocação do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, foi rejeitada pela comissão. O pedido havia sido apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE).
Costa citou, em sua justificativa, as recentes declarações de Valdemar à imprensa sobre as doações de campanha feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, às campanhas eleitorais de 2022 do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Bolsonaro teve Zettel como maior doador na eleição de 2022, que deu R$ 3 milhões. Já Tarcísio recebeu R$ 2 milhões.
Segundo a PF, o cunhado de Vorcaro, que está preso, integrava grupo de Vorcaro responsável por intimidar adversários e pessoas ligadas às investigações.
O presidente do PL minimizou a importância do repasse, durante entrevista à GloboNews: "Todo mundo doa, esse pessoal doa pela força e pelo prestígio do Bolsonaro."
Nesta quarta também estava prevista a oitiva do ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio de Souza, mas o ministro André Mendonça retirou a obrigatoriedade.
Mendonça também lhe garantiu a opção de ir e ficar em silêncio, ou seja, de, assim querendo, não responder a perguntas.
Souza, que foi alvo de buscas da PF no caso Master, comandou a diretoria de fiscalização do BC de 2019 a 2023, quando Roberto Campos Neto era presidente da instituição.
Foi ele que assinou a autorização da compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, que rebatizou a instituição financeira como Banco Master.
Em seu despacho que autorizou as buscas, o ministro André Mendonça citou mensagens em que Paulo Sergio "chega a dar sugestões a Daniel Vorcaro sobre como deve se comportar em reunião" com o presidente do Banco Central.
"Mesmo sendo servidor do Bacen [Banco Central], Paulo Sérgio torna-se uma espécie de empregado/consultor de Vorcaro para assuntos de interesse exclusivamente privado deste último", disse o ministro.