Conheça os caças supersônicos que a FAB já operou
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Saab Gripen é o quarto modelo de caça supersônico operado pela Força Aérea Brasileira, ramo das Forças Armadas criado em 1941 que voa esse tipo de avião desde 1973.
Naquele ano, estreou no Brasil o francês Dassault Mirage-3, o mais clássico dos aviões de combate com asa em delta da Guerra Fria, configuração que permite maior eficiência em velocidades supersônicas ?ou seja, acima de Mach 1, ou 1.225 km/h ao nível do mar.
As asas em delta sobrevivem hoje em modelos como o próprio Gripen, o francês Rafale, o chinês J-10 e o indiano Tejas.
O avião foi comprado em um lote inicial de 17 aeronaves após os EUA vetarem a aquisição de modelos americanos sofisticados, como o F-4 Phantom-2, justamente pela ditadura militar que havia chegado ao poder em 1964 com o apoio de Washington.
Depois, outros aviões foram adquiridos, chegando a um total de 22 interceptadores, cuja missão principal era a de proteger o poder central em Brasília. Para isso, foram postados em Anápolis, em Goiás, a cerca de 150 km da capital, a cerca de cinco minutos de voo supersônico.
Foi uma dupla de Mirage monopostos que fez a primeira interceptação aérea da história do Brasil, em 9 de abril de 1982, quando escoltaram um avião soviético Il-62 operado por Cuba que invadiu o espaço aéreo rumo a Buenos Aires, onde diplomatas iriam fazer uma inusitada oferta de ajuda de Moscou à ditadura anticomunista contra o Reino Unido, durante a Guerra das Malvinas.
Os Mirage foram complementados por outro supersônico, esse de origem americana, o F-5, em 1975. Foram comprados três lotes dessas aeronaves, totalizando 79 aviões, e mais 11 foram adquiridos à parte da Jordânia no fim dos anos 2000.
Os F-5, em suas versões para um piloto (E) e dois aviadores (F), passaram por modernizações na Embraer nos anos 2000 e seguem sendo o esteio da FAB. Há 40 modelos na frota brasileira, rumo à aposentadoria com a chegada do Gripen.
Versáteis, os caças inicialmente para combate aéreo cobriram buraco como interceptadores em Anápolis até entre a aposentadoria dos Mirage-2000 em 2013 e a chegada operaciaonal dos Gripen, em 2022. Ainda estão em uso, até porque só agora o caça sueco está apto a empregar mísseis e canhões.
O francês Mirage-2000, terceiro modelo supersônico brasileiro, foi uma solução tampão achada pela FAB quando os Mirage-3 caducaram. A busca por um substituto definitivo havia começado em 2001, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando os militares iniciaram o processo para adquirir um novo caça para o país.
A competição, chamada F-X, foi acirrada e envolvia o próprio Mirage-2000, que seria nacionalizado pela Embraer segundo acordo com a fabricante francesa Dassault, e a versão anterior do Gripen, a C/D, que tinha alcance não compatível com as necessidades brasileiras.
Também estiveram na disputa europeus, russos e americanos, mas ao fim tudo foi postergado até ser reaberto o processo em 2006, chamado então de F-X2.
Foram comprados diretamente da França em 2005 12 Mirage-2000, uma evolução do Mirage-3 que está em operação no país europeu, no Oriente Médio, na Índia, no Peru, em Taiwan e na Ucrânia, entre outros locais. As células, como se diz no jargão, já estavam perto do fim da vida operacional.
O Gripen foi escolhido em 2013, após o país quase comprar o F/A-18 dos EUA, numa disputa também com o francês Rafale, o substituto da família Mirage. O americano acabou perdendo devido ao escândalo em que foi descoberto que Washington havia espionado a então presidente Dilma Rousseff (PT).
O sueco é o primeiro modelo supersônico a ser produzido no Brasil, que já montou caças subsônicos como o AMX. Dos 36 comprados, 15 serão finalizados na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (SP).