Governador interino do RJ exonera aliados de Castro e nomeia ex-integrante da gestão Paes
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro, exonerou nesta terça-feira (31) dois aliados do ex-governador Cláudio Castro (PL) e nomeou um ex-integrante da gestão Eduardo Paes (PSD) na prefeitura da capital fluminense.
Um dos exonerados é o deputado Jair Bittencourt (PL), que havia sido nomeado secretário de Governo por Castro no último dia 23, data em que o ex-governador renunciou. O agora ex-secretário vinha atuando em favor do PL nas articulações pelo comando da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).
Em suas redes sociais, ele afirmou que pediu a exoneração "em respeito ao governador em exercício Ricardo Couto". "Quando eu fui convidado para assumir a secretaria, nós achávamos que todo esse processo que está acontecendo ia ocorrer em uma semana, talvez em dez dias. E hoje nós não temos data para que isso acabe."
Também perdeu o cargo de assessor da Casa Civil o policial civil Fernando Hakme. Ele era uma das maiores influências sobre o ex-governador para o setor de segurança pública.
A única nomeação assinada por Couto foi do delegado Roberto Lisandro Leão, da Polícia Civil. Desde o ano passado ele vinha ocupando cargos na gestão Paes, entre eles a Corregedoria-Geral da Força Municipal, principal bandeira do ex-prefeito na área de segurança.
Leão assumiu o Gabinete de Segurança Institucional no lugar do também delegado Edu Guimarães de Souza.
As exonerações de Bittencourt e Souza, assim como a nomeação de Leão, foram os primeiros atos assinados pelo governador interino. Ele vinha evitando realizar mudanças na estrutura do governo, defendendo atuar como uma gestão de transição.
O cenário começou a se alterar quando o ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a permanência de Couto no Palácio Guanabara até a realização de novas eleições. O Supremo ainda define se o governador-tampão, que comandará o estado até o fim de 2026, será escolhido pela Alerj ou no voto popular.
Aliados de Castro veem na decisão uma espécie de intervenção do STF sobre o Rio de Janeiro. A determinação subverte a linha sucessória prevista na Constituição estadual, que será parcialmente recomposta nos próximos dias, quando a Assembleia deve escolher seu novo presidente.
Pela legislação, o novo chefe do Legislativo fluminense assumiria automaticamente o governo até a escolha do governador-tampão.
A Alerj deve escolher seu novo presidente nos próximos dias. O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) realiza nesta terça a retotalização dos votos após a anulação dos de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia, cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).