Petista Edegar Pretto anuncia que será vice de Juliana Brizola no RS após pedido de Lula

Por CARLOS VILLELA

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - A aliança entre PT e PDT no Rio Grande do Sul ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (16) com o anúncio do ex-pré-candidato petista Edegar Pretto de que aceita ser vice de Juliana Brizola na disputa pelo governo do estado.

Edegar confirmou publicamente a decisão pelas redes sociais, em uma carta aberta. "Assumo essa posição com um papel muito claro: contribuir para que essa candidatura alcance densidade política, tenha alinhamento programático expresse, de forma clara, o compromisso com o campo progressista", disse no texto.

O PT gaúcho teve que aceitar a imposição de um acordo nacional que envolveu o presidente Lula e o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e desagradou lideranças locais, que defendiam o nome de Edegar para concorrer pela segunda vez ao Palácio Piratini.

No texto, ele diz que tomou a decisão após um pedido do presidente Lula e do presidente nacional do PT, Edinho Silva, feito em uma reunião na terça-feira (14) em Brasília, além de conversas com lideranças partidárias, como os ex-governadores Olívio Dutra e Tarso Genro, o ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont e representantes de partidos da base.

No dia 9 de abril, Edegar confirmou a retirada da pré-candidatura e o apoio ao PDT, dois dias após a aprovação de uma resolução por parte da executiva nacional que determinava o apoio ao partido no Rio Grande do Sul, citando como prioridade da sigla reeleger Lula.

O documento definiu "a construção de uma tática eleitoral conjunta com o PDT e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola, como expressão política dessa estratégia no Rio Grande do Sul".

"As diferenças que nós temos, que continuam, são menores do que o grande desafio da reeleição do presidente Lula e de um novo projeto de desenvolvimento para o Rio Grande do Sul em que ninguém fique para trás", disse Edegar na ocasião.

Um dia antes da publicação da resolução nacional, um ato de campanha dele em Porto Alegre reuniu representantes dos partidos que integravam a base da pré-candidatura (PT, PC do B, PSB, PSOL, Rede e PV) para dar apoio ao petista como cabeça de chapa.

"Eu não acredito que eles tenham coragem de fazer uma intervenção para dizer para a militância aqui no estado que a nossa candidata é de outro partido", disse Tarso Genro na ocasião.

O ex-governador disse, dias depois, que apoiaria Edegar em qualquer decisão que tomasse.

A chapa de Juliana e Edegar deve ter, como candidatos a senador, o deputado e ex-ministro Paulo Pimenta (PT) e a ex-deputada Manuela D'Ávila (PSOL).

Entretanto, setores do PSOL se opõem à aliança com Juliana e ameaçam o lançamento de uma candidatura própria. O partido questiona o apoio que o PDT deu ao governo Eduardo Leite (PSD, ex-PSDB) pela maior parte de seus dois mandatos.

Juliana Brizola é neta de Leonel Brizola (1922-2004), que foi governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.

O PT também não vai lançar candidato em Santa Catarina, onde apoiará Gelson Merísio (PSB), e no Paraná, onde estará com Requião Filho (PDT).