Flávio faz primeiro ato de pré-campanha com Tarcísio e diz que governador será presidente 'um dia'
RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, foi aclamado nesta segunda-feira (27) por representantes do agronegócio como "futuro presidente" no primeiro ato de pré-campanha em conjunto com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O evento foi marcado por críticas à gestão do presidente Lula (PT). Flávio disse que o petista será "irrelevante" a partir do próximo ano.
Saudado por Tarcísio e deputados federais, o senador visitou a Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), principal evento agrícola do país.
Tarcísio, alvo de críticas do bolsonarismo pelo que afirmam ser um baixo engajamento na candidatura de Flávio, disse que o filho de Jair Bolsonaro (PL) será presidente a partir do próximo ano e que tem orgulho da jornada que fez com o ex-presidente, que cumpre prisão familiar.
As afirmações foram feitas no auditório do Centro de Cana do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), do governo estadual, que fica dentro da fazenda que abriga a feira agrícola.
"Esse tempo difícil vai mudar, porque ninguém aguenta mais [...] Eu tenho certeza que o resultado de outubro vai ser excepcional. Eu tenho certeza que a gente vai ter uma virada de chave", afirmou Tarcísio.
Depois, em entrevista coletiva, ele disse que o ato é o primeiro de vários que ocorrerão, como os envolvendo o lançamento da pré-candidatura ao Senado de Guilherme Derrite (PP) e eventos como a Feicorte, em Presidente Prudente.
Flávio disse em seu discurso que quem deveria estar no seu lugar no ato hoje era seu pai, que cumpre prisão domiciliar.
"Eu não teria alguém melhor aqui em São Paulo para caminhar ao lado, o Tarcísio. Uma pessoa que tem, sim, plena capacidade de ser presidente deste Brasil. E, se Deus quiser, ainda vai ser um dia, Tarcísio, porque o Brasil merece uma pessoa como você comandando também este país", disse o senador.
Em seguida, ambos iniciaram caminhada pelas ruas da feira, cumprimentando visitantes. A Agrishow prevê receber mais de 195 mil visitantes até sexta-feira (1).
CRÍTICAS A PROGRAMA DE LULA
Tarcisio não participou de cerimônia da feira, neste domingo (26), que contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e os ministros André de Paula (Agricultura) e Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário).
Alckmin anunciou a liberação de uma linha de crédito especial de R$ 10 bilhões para produtores rurais com juros abaixo de 10% para a aquisição de máquinas e implementos agrícolas.
Os recursos devem ser liberados em cerca de três semanas, segundo o vice-presidente, e a Faesp (Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo) protestou, ao afirmar que foi o "dia do não anúncio", por considerar que não houve medidas concretas para o setor.
No dia anterior, o presidente da federação, Tirso Meirelles, já tinha criticado a proposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de abolir a jornada de trabalho 6x1, ao participar da Expozebu, em Uberaba, no Triângulo Mineiro.
"Simplesmente, vai um senhor na TV e diz o seguinte 'Vocês, sociedade mais simples, estão trabalhando tanto que não estão tendo condições de ficar com seus filhos'. Arruma o transporte, dá segurança, precisa resolver primeiro a estruturação do país em vez de mexer no 6x1", disse.
Os protestos sobre a nova linha de financiamento também foram feitos por Flávio, que a classificou de muito abaixo do necessário.
Antes dele, o secretário da Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho, disse que o Plano Safra do governo federal perdeu função e relevância e que as promessas feitas pela União são vazias.
"Na abertura da feira nós tivemos uma prova disso, o governo anunciou uma espécie de crédito fantasma aqui. Foi anunciado como se existisse, quase ninguém acredita que existe e mesmo que acredita não consegue ver ou tocar", afirmou.
O prefeito de Ribeirão, Ricardo Silva (PSD), elogiou o governador paulista e, ao senador Flávio, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) escolheu nomes técnicos para seu ministério.
Defendeu ainda a eleição ao Senado de Guilherme Derrite (PP), ex-secretário da Segurança Pública.
Já o presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), Pedro Lupion (PP-PR), disse que a presença de Flávio "é um presságio de um futuro auspicioso" e que o governo Lula despreza os produtores rurais.
O senador foi saudado como "futuro presidente" também pelo presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL).
A Agrishow é organizada pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos), Faesp e SRB (Sociedade Rural Brasileira).