Governo Lula insiste em novo encontro e gesto de apoio de Alcolumbre a Messias para destravar votos

Por CAROLINA LINHARES E LUÍSA MARTINS

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo Lula ainda tenta obter uma declaração pública de apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), à indicação de Jorge Messias a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

O advogado-geral da União passará por sabatina nesta quarta-feira (29). Ele e Alcolumbre se encontraram recentemente, como revelou a coluna Mônica Bergamo, mas, segundo relatos, tratou-se de algo casual, que não substitui uma reunião formal entre eles.

Nesta segunda-feira (27), o ministro das Relações Institucionais do governo Lula (PT), José Guimarães (PT), voltou a pedir ao presidente do Senado que receba Messias.

Com o placar incerto e apertado, a base governista considera que um gesto público do presidente do Senado a favor do indicado é importante para assegurar sua aprovação na Casa.

Até agora, porém, Alcolumbre não marcou uma conversa com o advogado-geral, que já foi recebido por mais de 75 entre 81 senadores. Ele precisa de ao menos 41 votos favoráveis e, segundo as contas do governo, tem hoje algo em torno de 45.

No breve encontro da semana passada, Alcolumbre manteve a posição de neutralidade e não se comprometeu a apoiar Messias. Na avaliação de alguns senadores de centro, a isenção do presidente do Senado pode não ser suficiente para aprovação do AGU ?seria necessário um movimento dele a favor do indicado.

Como revelou a coluna Mônica Bergamo, o encontro, secreto, foi mediado por amigos comuns e ocorreu em Brasília.

Além dos dois, estavam presentes os ministros do STF Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, e o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

A ocasião era informal, na casa de uma das autoridades e com a presença de familiares. Messias abordou Alcolumbre e pediu apoio. O presidente do Senado, contudo, não se comprometeu. A conversa foi breve e cortês.

Segundo aliados do presidente do Senado, Alcolumbre afirmou a Messias apenas que vai seguir o rito constitucional da sabatina e da votação. Disse ainda que vai garantir um ambiente tranquilo na Casa.