Bolsonaro passa por cirurgia no ombro sem intercorrências, diz hospital
BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou nesta sexta-feira (1º) por uma cirurgia no ombro direito, e o procedimento foi concluído sem intercorrências, de acordo com nota divulgada pelo hospital DF Star. A operação foi um reparo artroscópico do manguito rotador ?parte do corpo ligada ao movimento dos braços.
O comunicado também afirma que o político está internado para controlar a dor e ser observado pelos médicos.
Bolsonaro, que está preso em casa, precisou pedir autorização do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes para ser submetido ao procedimento. O pedido foi realizado no último dia 21, e o magistrado autorizou a saída para a operação.
Segundo os advogados, o ex-presidente apresentava um quadro de dor persistente e incapacidade funcional no ombro, com necessidade de tomar medicamentos analgésicos todos os dias.
Ele foi para o hospital onde realizaria a operação, em Brasília, na manhã desta sexta. "Já estamos a caminho do hospital. Peço aos meus irmãos em Cristo que orem pelo procedimento cirúrgico do meu galego", escreveu a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em rede social.
Bolsonaro está em prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado. A pena de 27 anos e três meses de prisão, imposta pela Primeira Turma do STF, começou a ser cumprida em novembro do ano passado, inicialmente na superintendência da Polícia Federal em Brasília e depois na chamada Papudinha.
O ex-presidente foi cumprir pena em casa depois de deixar o hospital na segunda metade de março, quando foi internado para tratar uma broncopneumonia. Bolsonaro passou por uma série de cirurgias desde 2018 devido ao ataque a faca do qual foi vítima na campanha eleitoral daquele ano.
O procedimento ao qual ele foi submetido nesta sexta é voltado ao tratamento de uma lesão considerada comum na ortopedia. O manguito rotador é um conjunto de quatro tendões localizados na região do ombro, responsáveis pelos movimentos de rotação e por manter a articulação firme e estável durante os movimentos, segundo o ortopedista Maurício Raffaelli, especialista em cirurgia de ombro e cotovelo.
O rompimento dessas estruturas está entre as causas mais frequentes de dor no ombro. O quadro pode variar de inflamações e lesões parciais até rupturas completas. A indicação cirúrgica ocorre quando há dor importante e perda de função, com limitação para movimentar o braço, e quando fisioterapia não é suficiente.
Um dos sintomas mais característicos é a dor noturna, que pode dificultar o sono. Muitos pacientes relatam piora da dor ao deitar, porque a articulação é comprimida durante o descanso.
O reparo do manguito rotador consiste em recolocar o tendão no osso para que ele volte a cicatrizar e recuperar sua função. A cirurgia é feita, na maioria dos casos, por artroscopia, técnica minimamente invasiva realizada com uma câmera inserida no ombro por pequenas incisões.
A recuperação da cirurgia é gradual. Segundo Maurício Raffaelli, o paciente permanece com o braço imobilizado por tipoia por um período de quatro a seis semanas, com liberação inicial apenas para movimentos de cotovelo, punho e mão. A fisioterapia é iniciada depois dessa fase.
A cicatrização do tendão leva de três a quatro meses, enquanto a recuperação funcional completa pode demorar seis meses, dependendo da extensão da lesão e da resposta do organismo.
DOSIMETRIA
Bolsonaro deverá passar menos tempo que o previsto na prisão. Na quinta-feira (30), o Congresso Nacional derrubou veto do presidente Lula e abriu caminho para que as penas dos condenados no processo da trama golpista sejam reduzidas, com o restabelecimento do PL da Dosimetria.
A votação contou com uma manobra do presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP) para viabilizar a redução das penas. Ele invalidou artigos do projeto que entravam em conflito com outra lei, que entrou em vigor após o Legislativo aprovar a dosimetria.
O PL da Dosimetria traz reduções tanto nas penas totais quanto no tempo mínimo em regime fechado de condenados da trama golpista e pelos ataques às sedes dos Poderes em 8 de janeiro de 2023.
No caso de Bolsonaro, a medida reduz o tempo que ele vai passar em regime fechado do intervalo atual de 6 a 8 anos para entre 2 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses, a depender da interpretação.