Malafaia diz ser alvo de perseguição de Moraes, do STF, em culto ao lado de Flávio Bolsonaro no Rio
RIO DE JANEIRO, RJ, E RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O pastor Silas Malafaia afirmou neste domingo (3) ser alvo de "perseguição política" após se tornar réu no STF (Supremo Tribunal Federal) e voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes durante culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), na zona norte do Rio.
A cerimônia neste domingo conta com a presença do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), do deputado estadual Douglas Ruas (PL) e do ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), que participaram do culto e foram chamados ao altar pelo pastor.
Sem citar nomes sobre o caso, o líder religioso disse que não cometeu crime ao fazer críticas que classificou como genéricas e defendeu o que chamou de direito à liberdade de expressão. "Quando você fala genericamente, não [comete crime]. Eu não citei o nome de ninguém", afirmou.
Malafaia também criticou programas sociais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como o Bolsa Família, e disse que na história do mundo nenhuma nação prosperou onde a maioria da população "vive de favor do governo".
"Favor de governo é para ajudar a linha da miséria, não é para comprar voto, não. Favor de governo é para as pessoas da linha da miséria. Como é que esse país vai prosperar onde os beneficiados do governo são mais do que as pessoas que produzem? Como é que pode isso? Acorda povo brasileiro. Ah, você recebe Bolsa Família, kit gás, kit sei la o quê? Meu irmão, nós estamos enganados. O que eu acho interessante é que esses caras estão governando há não sei quantos anos e tem 53 milhões de pessoas com Bolsa Família. Então piorou. Tinha que diminuir, aumentou. Compra de voto na maior cara de pau, gente. Como é que uma nação vai prosperar assim?", questionou.
O fim da jornada 6x1 também foi criticada pelo pastor, que disse que "do jeito que está indo vão querer um dia de trabalho e seis de folga".
Malafaia também atacou o inquérito das fake news, que tramita no STF, classificando-o como "ilegal" e "imoral" e dizendo que foi aberto "para calar" pessoas que criticam ministros da corte. Segundo ele, há uma tentativa de "intimidar" e silenciar opositores.
Ao mencionar Moraes, o pastor disse que faz críticas ao magistrado, mas não o odeia. Em seguida, afirmou que, se o ministro "não se arrepender", "virá justiça sobre ele em nome de Jesus".
A declaração ocorre dias depois de a Primeira Turma do STF tornar Malafaia réu sob acusação de injúria.
A ação teve origem em uma representação apresentada pelo comandante do Exército, general Tomás Paiva, após um discurso do pastor na avenida Paulista.
Em 6 de abril de 2024, do alto do carro de som, o líder religioso afirmou: "Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição".
Parte dos ministros entendeu que não houve indícios de calúnia, quando há acusação falsa de crime, mas que as declarações podem configurar ofensa à honra, o que levou ao recebimento da denúncia por injúria.
A decisão foi tomada por maioria, com divergências entre os ministros sobre o enquadramento das falas.
ENCONTRO
Antes do início do culto, o senador e os aliados se reuniram com Malafaia em uma sala reservada. Ao deixar o local, Flávio afirmou que estava ali para que o pastor fizesse uma oração por ele.
Durante a cerimônia, Malafaia chamou o parlamentar ao altar, ao lado de outros políticos, em um momento que foi acompanhado por aplausos dos fiéis, que lotavam a igreja, que comporta mais de 6.000 pessoas.
O encontro marca uma reaproximação entre Malafaia e Flávio Bolsonaro, após meses de declarações públicas em que o pastor demonstrou reservas à pré-candidatura do senador.
A presença de aliados no culto também ocorre em meio à estratégia do PL de fortalecer sua base no Rio de Janeiro, um dos principais redutos do bolsonarismo.
O partido articulou uma aliança com siglas como PP e União Brasil no estado, e aposta em nomes como Douglas Ruas para a disputa ao governo fluminense, em um cenário ainda indefinido após desdobramentos judiciais envolvendo Cláudio Castro.
A avaliação entre aliados é que o apoio de lideranças evangélicas tende a ser decisivo para a viabilidade da candidatura.
Levantamento do Datafolha realizado em abril mostra que Flávio tem desempenho mais forte entre evangélicos, segmento em que aparece à frente do presidente Lula em diferentes cenários.
Apesar disso, o apoio dentro das igrejas não é homogêneo. Lideranças evangélicas têm se dividido entre diferentes nomes da direita, e há correntes que mantêm interlocução com campos políticos distintos.
Nesse cenário, Sóstenes, líder do PL na Câmara e pastor licenciado da ADVEC, tem atuado na articulação do senador com igrejas. Ele afirma que a diversidade interna das denominações faz com que posições políticas nem sempre sejam unificadas.
Entre os exemplos dessa fragmentação está o Ministério Madureira, um dos mais influentes da Assembleia de Deus, onde há sinais divergentes sobre o apoio a pré-candidatos. Parte das lideranças já manifestou preferência por outros nomes, enquanto políticos ligados ao grupo têm se aproximado do PL.
Antes de encerrar o culto, Malafaia se dirigiu a Flávio e pediu que o senador enviasse um abraço para o ex-presidente Bolsonaro.
"Eu estou impedido de falar com ele por uma cautelar do ministro Alexandre de Moraes. Eu tenho uma grande amizade. Covardia e maldade. Tá aqui o filho dele sabe que eu não converso com o Bolsonaro para elogiar e só para agradar. Eu, quando ele era presidente, fazia questionamentos particulares com ele, e sempre fiz, e sempre ele aceitou alguns conselhos meus, não aceitou todos, porque ninguém aceita tudo, isso é normal, isso é correto. E eu estou impedido de falar com ele por uma cautelar do ministro Alexandre de Moraes, então mande pra ele o meu abraço."